
Votação mobiliza cerca de 1 bilhão de eleitores para escolher 2,6 milhões de membros para as assembleias populares
Assim como o Brasil, a China também realizará eleições neste ano. Os chineses vão participar da única etapa de voto direito do sistema político chinês: a escolha dos deputados para as assembleias municipais e distritais-municipais. Nessa fase, serão eleitos 2,6 milhões de representantes, quase 50 vezes o total de vereadores, deputados estaduais, deputados federais e senadores do Brasil.
Diferentemente do Brasil, a votação para as assembleias de mais baixo nível hierárquico na China não acontece no mesmo dia. As províncias realizam as votação em datas diferentes, geralmente no período de setembro a dezembro.
Em coletiva de imprensa, o vice-secretário-geral do Comitê Permanente da APN (Assembleia Popular Nacional), Song Rui, fez um balanço do processo eleitoral chinês. Declarou que a eleição está ocorrendo “de forma ordenada” e estimou uma participação de mais de 1 bilhão de eleitores no processo. A mídia estatal chinesa disse que a eleição chinesa é “uma das maiores práticas democráticas do mundo”.
Assista ao vídeo (1min54s):
COMO FUNCIONA A ELEIÇÃO NA CHINA
Embora essa seja a única etapa que um cidadão chinês pode votar diretamente em um deputado, a representatividade dessa etapa é a mais significativa no quantitativo da pirâmide do legislativo chinês. Os 2,6 milhões de eleitos constituem 95% do corpo legislativo chinês.
No total, são 5 tipos de deputados na China. Os 2 primeiros são os municipais e distritais-municipais e somente esses são escolhidos diretamente pela população. Acima, estão os deputados das cidades divididas em distritos e prefeituras autônomas. Esses são eleitos por voto indireto, pelos deputados do nível imediatamente abaixo. Assim, segue-se até a APN, o principal órgão legislador da China.

Além da escolha dos deputados das classes hierárquicas acima, os deputados chineses são quem escolhem os prefeitos e governadores. Esses cargos também são por eleição indireta dos legisladores, por meio do voto secreto.
Apesar do verniz democrático, na prática é o PCCh (Partido Comunista da China) o personagem principal das eleições. Todos os candidatos, antes de serem eleitos, precisam ser aprovados pelo partido, que também indica os nomes dos candidatos ao cargos executivos.
No sistema político chinês, o governador não é o cargo de maior prestígio dentro de uma província –esse papel cabe ao secretário do PCCh na província, que é indicado pelo partido e não necessariamente tem alguma relação com a região que de facto governa.
Por exemplo, o atual presidente chinês Xi Jinping (PCCh) já foi governador de duas províncias diferentes (Fujian e Zhejiang) e também secretário do Partido Comunista da China em duas províncias (Zhejiang e Xangai).
SEM CLIMA DE ELEIÇÕES
Pelas ruas de Pequim, não há qualquer clima de eleições, mesmo no período em que a capital se prepara para o pleito. Não há propagandas eleitorais na cidade nem mesmo indicativos de que será realizada uma eleição.
Segundo a legislação chinesa, todos os cidadãos da República Popular da China que tenham completado 18 anos de idade têm o direito de votar e de se candidatar a eleições. O voto não é obrigatório.





























