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Sábado, Setembro 26, 2026
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Grupo conservador do vice dos EUA buscou vir ao Brasil, diz jornal

Rockbridge, fundado por J.D. Vance, procurou empresários e políticos brasileiros para iniciar instalação no país

A Rockbridge Network, grupo privado de direita fundado em 2019 pelo vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance (Partido Republicano), e pelo empresário Chris Buskirk, procurou empresários e políticos brasileiros para iniciar sua instalação no Brasil. As informações são da jornalista Alexa Salomão, da Folha de S. Paulo.

Segundo o jornal, o empresário Joesley Batista, da J&F, e o banqueiro André Esteves, do BTG, tiveram contato com emissários do grupo norte-americano, que reúne investidores e executivos conservadores. Os candidatos à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo), também já teriam conhecido representantes da Rockbridge. Nenhum deles quis se manifestar sobre o assunto.

Segundo o material de apresentação do grupo, obtido pela Folha, a Rockbridge ofereceria adesão com contribuições de até US$ 1 milhão anuais. Os pagamentos poderiam ser feitos em dólar, criptomoedas, ações de empresas abertas ou fechadas e por meio de estruturas corporativas e trusts.

O grupo também previa atuar no Brasil em 3 frentes: mídia (com apoio e organização de veículos conservadores); formação de jovens (com financiamentos a movimentos em ambientes acadêmicos); e atividade legislativa (fornecendo dados e pesquisas a parlamentares de direita).

De acordo com a Folha, a Rockbridge sugeria ainda a criação de um conselho com 23 integrantes, entre executivos, fundadores e investidores ligados à tecnologia. No documento, foram citados os nomes de 4 brasileiros: Talles Gomes, da G4 Educação; Mario Araripe, fundador da Casa dos Ventos; David Peixoto, fundador da Pax AI; e Pedro Sang, apresentado como CEO da Rockbridge Brasil.

A assessoria de imprensa da Rockbridge nos EUA disse que a Rockbridge Brasil foi criada mediante interesse de brasileiros, mas que o projeto depois foi rejeitado.

“A Rockbridge criou a empresa [entidade jurídica] exclusivamente prevendo a possibilidade de levar adiante o negócio proposto. A iniciativa não prosseguiu, e a empresa nunca recebeu recursos, entrou em operação ou foi utilizada para qualquer atividade empresarial”, declarou em comunicado.

O grupo ainda afirmou que “brasileiros fizeram declarações falsas sobre sua relação com a Rockbridge e produziram documentos que apresentavam ou faziam referência à Rockbridge sem o conhecimento ou consentimento da organização”.

No início de setembro, o candidato à Presidência Renan Santos (Missão) afirmou nas redes sociais que a Rockbridge teria apoiado a campanha eleitoral de Flávio. Disse que estava disposto a enviar documentos que, segundo ele, tratam de envolvimento norte-americano em troca de terras raras.

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) acionou o Supremo Tribunal Federal, em 11 de setembro, para que investigue se a campanha de Flávio recebe recursos estrangeiros, direta ou indiretamente.

Na última 4ª feira (23.set), o PT também pediu ao ministro Flávio Dino, do STF, a abertura de um inquérito para investigar suposta interferência estrangeira nas eleições.