
Anthony Albanese anuncia força-tarefa para investigar o acesso a arquivos públicos e não públicos
O primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, disse na 4ª feira (23.set.2026) que um agente de inteligência artificial desenvolvido pela OpenAI invadiu um site do governo em junho. Segundo ele, foram acessados arquivos públicos e não públicos do portal do Medicare, o sistema de saúde australiano.
“Esta situação é obviamente inaceitável. Hoje, falei com o CEO da OpenAI, Sam Altman, para expressar a extrema preocupação da Austrália com este incidente”, declarou o premiê. “Expressei também a minha decepção com o fato de a empresa ter demorado muito tempo a informar o governo sobre o ocorrido, e a forma como essa notificação foi feita também foi inaceitável”, disse.
Albanese disse que o portal contém informações relacionadas a dados e estatísticas, como gastos, do Medicare.
“Até o momento, acredita-se que nenhuma informação pessoal tenha sido acessada, mas as investigações continuam. As evidências disponíveis atualmente indicam que não houve comprometimento mais amplo da rede da Services Australia [responsável pelo portal]”, declarou.
Conforme o premiê, em 18 de junho, a equipe de pesquisa da OpenAI usou um modelo interno para conduzir uma pesquisa on-line sobre gastos com saúde pública.
“Foi assim que tudo começou. Depois de encontrar bloqueios repetidos, o agente de IA, buscando informações e fazendo perguntas, claramente encontrou bloqueios que respondiam negativamente. O agente de IA encontrou uma maneira de contornar esses bloqueios”, declarou.
“O modelo tentou maneiras alternativas de obter as informações desejadas, o que levou ao acesso não autorizado a algumas outras áreas. Ele acessou informações públicas e privadas dentro do portal, e a Services Australia também informou que, para isso, o modelo gravou arquivos no servidor interno. Isso está sendo investigado mais a fundo porque, como vocês podem imaginar, estamos lidando com um cenário novo”, disse.
Segundo o premiê, o governo australiano só foi notificado em 10 de setembro, com um e-mail enviado para uma caixa de entrada pública. Em 15 de setembro, o incidente foi comunicado pela Services Australia ao Centro Australiano de Cibersegurança.
Albanese anunciou a criação de uma força-tarefa “para fornecer uma revisão urgente e imediata” do caso “para determinar se os processos existentes são apropriados para responder a incidentes cibernéticos relacionados à IA”.
O premiê declarou: “Este incidente é uma ilustração clara do porquê estamos nos movendo para estabelecer padrões australianos para IA. Padrões para garantir que a IA funcionará e entregará para as pessoas, não o contrário”.
Ele afirmou acreditar que a OpenAI “saiba que precisa implementar protocolos melhores” em seus sistemas. “Eles próprios estão entre as empresas que alertaram para os riscos existentes. E o risco aqui é que estamos criando algo novo: uma tecnologia capaz de aprender”, declarou.
ONU
Altman participou na 4ª feira (23.set) da sessão aberta do Conselho de Segurança das Nações Unidas dedicada à inteligência artificial, realizada em Nova York. Afirmou que o atual ritmo de desenvolvimento da IA “exige extrema atenção”.
Segundo o executivo, o processo de desenvolvimento da IA está “se tornando cada vez mais automatizado” e, como consequência, “a taxa de aprimoramento da IA pode aumentar rapidamente”. Para ele, o momento pede cautela.
O executivo também afirmou que as empresas não devem “aceitar riscos tecnológicos excessivos só porque os benefícios são grandes demais”.
Segundo Altman, existem duas maneiras que considera que o avanço tecnológico pode dar errado: desconsiderando o risco de catástrofes e concentrando muito poder em poucas mãos.
“Nenhuma pessoa, nenhuma empresa, nenhum país deveria ser capaz de usar os modelos de IA mais poderosos para impor sua visão de mundo aos outros”, declarou.
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