
Pesquisa com profissionais de saúde em 5 países mostra que 73% relataram aumento de casos ou complicações ligados ao calor nos últimos 5 anos
Altas temperaturas estão ligadas a partos prematuros, natimortos e outras complicações. Para milhões de pessoas, gravidez está virando um “momento de ansiedade”, como aponta pesquisa que incluiu Brasil.
A gravidez e o parto são agora uma nova “linha de frente” da crise climática. O alerta foi feito na 2ª feira (5.out.2026) pelo secretário executivo da ONU para Mudanças Climáticas, Simon Stiell.
Durante uma reunião ministerial antes da conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP31, em Fiji, Stiell disse que as altas temperaturas estão cada vez mais associadas a partos prematuros, natimortos, baixo peso ao nascer e complicações maternas.
Segundo ele, “o quadro é claro e muito preocupante”. Stiell citou novos dados de uma pesquisa com profissionais de saúde materna na Austrália, Brasil, Índia, Reino Unido e Zimbábue.
Quase 3 em cada 4, ou 73%, afirmaram que os casos ou complicações relacionadas ao calor aumentaram nos últimos 5 anos.
Dos entrevistados, 81% se declararam preocupados com o fato de as altas temperaturas estarem colocando cada vez mais em risco a saúde de mães, fetos e recém-nascidos.
Além disso, praticamente todos os profissionais consultados disseram ter tratado uma grávida ou um bebê cuja saúde consideravam afetada pelo calor.
Aumento da ansiedade
O chefe de Clima da ONU disse que por trás desses números está “a jornada de uma gestante até uma clínica, atrasada pelo calor perigoso; uma parteira trabalhando em temperaturas inseguras; um recém-nascido que precisa de cuidados especializados”.
Ele adicionou que para milhões de pessoas a gravidez está se tornando um período de ansiedade, à medida que os impactos climáticos introduzem novos riscos na vida diária.
Stiell enfatizou que ninguém está a salvo das ondas de calor, mas seus efeitos não são distribuídos igualmente.
O calor e a desigualdade
Trabalhar ao ar livre, morar em uma casa sem proteção adequada contra altas temperaturas, percorrer longas distâncias para chegar a uma clínica ou depender de centros de saúde sem água, eletricidade e refrigeração agravam os riscos.
Stiell declarou que “manter a calma simplesmente não é uma opção quando não há nenhum lugar fresco para ir”.
O responsável pelas questões climáticas observou que a segurança do parto já depende, com muita frequência, do local onde a mulher vive, de sua renda e de seu acesso a serviços de saúde. Sem medidas adicionais, alertou, o aumento das temperaturas irá agravar essas desigualdades.
Planos de adaptação
Stiell pediu que os países incorporem explicitamente os cuidados durante a gravidez e com recém-nascidos nos planos de adaptação às mudanças climáticas e nas estratégias de saúde relacionadas ao calor.
O argumento é que aquilo que não é mencionado em um plano muitas vezes fica sem financiamento, sem avaliação e sem proteção.
O Acordo de Paris estipula que a adaptação deve ser sensível à questão de gênero. O chefe de Clima observou que isso significa incluir a saúde materna e neonatal nos planos nacionais de adaptação e de ação contra o calor.
Stiell também destacou o Plano de Ação de Gênero de Belém, que foi acordado no ano passado, na COP30, no Brasil, e busca fortalecer a integração das questões de gênero na ação climática, nos dados, no financiamento e na participação.
Este texto foi publicado originalmente pela ONU, em 5 de outubro de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360.



























