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Segunda-feira, Outubro 12, 2026
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Calor ameaça saúde de grávidas e recém-nascidos, diz ONU

Pesquisa com profissionais de saúde em 5 países mostra que 73% relataram aumento de casos ou complicações ligados ao calor nos últimos 5 anos

Altas temperaturas estão ligadas a partos prematuros, natimortos e outras complicações. Para milhões de pessoas, gravidez está virando um “momento de ansiedade”, como aponta pesquisa que incluiu Brasil.

A gravidez e o parto são agora uma nova “linha de frente” da crise climática. O alerta foi feito na 2ª feira (5.out.2026) pelo secretário executivo da ONU para Mudanças Climáticas, Simon Stiell.

Durante uma reunião ministerial antes da conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP31, em Fiji, Stiell disse que as altas temperaturas estão cada vez mais associadas a partos prematuros, natimortos, baixo peso ao nascer e complicações maternas.

Segundo ele, “o quadro é claro e muito preocupante”. Stiell citou  novos dados de uma pesquisa com profissionais de saúde materna na Austrália, Brasil, Índia, Reino Unido e Zimbábue.

Quase 3 em cada 4, ou 73%, afirmaram que os casos ou complicações relacionadas ao calor aumentaram nos últimos 5 anos. 

Dos entrevistados, 81% se declararam preocupados com o fato de as altas temperaturas estarem colocando cada vez mais em risco a saúde de mães, fetos e recém-nascidos.

Além disso, praticamente todos os profissionais consultados disseram ter tratado uma grávida ou um bebê cuja saúde consideravam afetada pelo calor.

Aumento da ansiedade

O chefe de Clima da ONU disse que por trás desses números está “a jornada de uma gestante até uma clínica, atrasada pelo calor perigoso; uma parteira trabalhando em temperaturas inseguras; um recém-nascido que precisa de cuidados especializados”.

Ele adicionou que para milhões de pessoas a gravidez está se tornando um período de ansiedade, à medida que os impactos climáticos introduzem novos riscos na vida diária.

Stiell enfatizou que ninguém está a salvo das ondas de calor, mas seus efeitos não são distribuídos igualmente.

O calor e a desigualdade

Trabalhar ao ar livre, morar em uma casa sem proteção adequada contra altas temperaturas, percorrer longas distâncias para chegar a uma clínica ou depender de centros de saúde sem água, eletricidade e refrigeração agravam os riscos.

Stiell declarou que “manter a calma simplesmente não é uma opção quando não há nenhum lugar fresco para ir”.

O responsável pelas questões climáticas observou que a segurança do parto já depende, com muita frequência, do local onde a mulher vive, de sua renda e de seu acesso a serviços de saúde. Sem medidas adicionais, alertou, o aumento das temperaturas irá agravar essas desigualdades.

Planos de adaptação

Stiell pediu que os países incorporem explicitamente os cuidados durante a gravidez e com recém-nascidos nos planos de adaptação às mudanças climáticas e nas estratégias de saúde relacionadas ao calor.

O argumento é que aquilo que não é mencionado em um plano muitas vezes fica sem financiamento, sem avaliação e sem proteção.

O Acordo de Paris estipula que a adaptação deve ser sensível à questão de gênero. O chefe de Clima observou que isso significa incluir a saúde materna e neonatal nos planos nacionais de adaptação e de ação contra o calor.

Stiell também destacou o Plano de Ação de Gênero de Belém, que foi acordado no ano passado, na COP30, no Brasil, e busca fortalecer a integração das questões de gênero na ação climática, nos dados, no financiamento e na participação.


Este texto foi publicado originalmente pela ONU, em 5 de outubro de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360.