
Como encaminhamento da reunião, a Energisa informou que realizará um estudo para avaliar o problema e buscar medidas para melhorar a estabilidade do fornecimento na região. Durante a conversa, foram mencionados fatores como árvores próximas à rede, ventos fortes, descargas atmosféricas, tempestades e possíveis efeitos associados ao fenômeno climático El Niño.
A cobrança ocorre após meses de mobilização dos moradores do Parque Alvorada, que procuraram diferentes órgãos em busca de uma solução. A comunidade protocolou reclamação no Ministério Público em março de 2025 e apresentou um abaixo-assinado com mais de 300 assinaturas, além de registrar demandas junto à Energisa, ao Procon e a outras instâncias.
“Nosso objetivo é obter respostas concretas. A população precisa saber quais são as causas das interrupções, quais medidas serão adotadas e em que prazo. Vamos acompanhar esse estudo e cobrar os resultados”, afirma Sergio Nogueira.
Dados do Ministério Público apontam falhas em equipamentos
A discussão também envolve informações reunidas no Inquérito Civil nº 06.2025.00001008-1, conduzido pela 10ª Promotoria de Justiça de Dourados para apurar a qualidade do fornecimento de energia elétrica.
O despacho do Ministério Público, assinado em outubro de 2026, apresenta dados de interrupções registradas entre janeiro de 2021 e dezembro de 2024. Nesse período, falhas de material e equipamento foram associadas a 19.634 interrupções, equivalentes a 44,48% do total analisado. Já as ocorrências atribuídas a árvores ou vegetação somaram 2.950 registros, aproximadamente 6,68%.
Os números reforçam a importância de investigar as causas técnicas das ocorrências, além de considerar fatores climáticos. O despacho também registra irregularidades identificadas em fiscalizações e determina novas diligências relacionadas ao plano de melhoria da concessionária.
Os dados abrangem o período e o conjunto de ocorrências analisados no procedimento e não identificam, isoladamente, a causa de cada interrupção nos bairros de Dourados. Por isso, o estudo anunciado pela Energisa deverá contribuir para esclarecer as condições específicas da rede que atende a região.
Instituições relatam prejuízos e interrupções frequentes
Além dos moradores, instituições de ensino e outras organizações formalizaram reclamações sobre os problemas no fornecimento de energia.
A UNIGRAN encaminhou o Ofício nº 023/2026 ao vereador, relatando interrupções e oscilações que atingem especialmente o Jardim Universitário e bairros adjacentes. Segundo a Reitoria, as ocorrências prejudicam atividades acadêmicas e administrativas e comprometem equipamentos e sistemas tecnológicos. A instituição solicitou providências técnicas e um cronograma para a solução do problema.
A UNIFRON, localizada no Parque Alvorada, também pediu a intermediação parlamentar junto à concessionária. No Ofício nº 017/2026, a faculdade relata prejuízos operacionais, perda de equipamentos e dificuldades na execução de serviços devido às interrupções recorrentes.
A instituição anexou um relatório de mensuração de energia elétrica elaborado por engenheiro eletricista, com medições realizadas entre 22 de março e 2 de abril de 2026. O documento registra que, no período monitorado, não foram identificadas evidências de sobrecarga contínua no sistema de medição da unidade. Também aponta danos em dispositivos de proteção contra surtos e equipamentos eletrônicos compatíveis com surtos de tensão associados a descargas atmosféricas nas proximidades ou a perturbações conduzidas pela rede de alimentação.
O relatório relaciona danos a equipamentos e dispositivos de proteção e recomenda a abertura de protocolos junto à concessionária para verificação do sistema de distribuição e análise das ocorrências. A UNIFRON informa que, mesmo após uma equipe da Energisa verificar a rede, as quedas continuaram acontecendo.
A Escola Municipal Aurora Pedroso de Camargo também encaminhou solicitação de providências. De acordo com a diretora Tânia Aparecida de Miranda Rezende, as quedas frequentes no Parque Alvorada prejudicam as atividades em sala de aula e os trabalhos administrativos e pedagógicos da unidade.
Outra manifestação foi apresentada pelo Mosteiro Santa Maria dos Anjos, das Irmãs Clarissas, localizado no Parque Alvorada. Em ofício dirigido à presidência da Energisa em 26 de outubro, a comunidade religiosa relatou que as interrupções afetam momentos de oração, atividades de trabalho e o funcionamento de equipamentos elétricos e eletrônicos. O documento solicita investigação e solução para as ocorrências que atingem o mosteiro e a região.
Gabinete acompanhará os próximos passos
Sergio Nogueira garante que continuará acompanhando as providências anunciadas pela Energisa e buscará informações sobre as conclusões do estudo, as medidas previstas e os prazos de execução.
A expectativa é que a análise identifique as causas das interrupções nos circuitos que atendem os bairros afetados e estabeleça ações para melhorar a continuidade e a segurança do fornecimento.
“A demanda, que começou com a mobilização dos moradores do Parque Alvorada, ganhou dimensão regional diante dos relatos de instituições de ensino, escola municipal e comunidade religiosa.
O próximo passo será acompanhar o estudo anunciado pela concessionária e cobrar resultados efetivos para a população de Dourados”, enfatiza Sergio Nogueira.




























