EUA podem tirar apoio ao Reino Unido sobre Malvinas, diz Reuters

Documento do Pentágono sugere rever apoio diplomático às ilhas como punição por postura britânica na guerra do Irã; Londres afirma que soberania é “inalterável”

O governo do Reino Unido afirmou nesta 6ª feira (24.abr.2026) que a soberania das Ilhas Malvinas (Falkland Islands, em inglês) pertence aos britânicos e permanece inalterada. A declaração foi dada por um porta-voz do primeiro-ministro Keir Starmer, depois de a agência de notícias Reuters divulgar o conteúdo de um e-mail do Pentágono que sugeria uma revisão da postura dos Estados Unidos sobre o território.

A mensagem interna norte-americana avaliava opções para punir aliados da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) que não apoiam as operações dos EUA na guerra com o Irã. O texto sugeria reavaliar o apoio diplomático a “possessões imperiais” europeias de longa data, citando explicitamente as Malvinas, localizadas próximas à Argentina.

“Não poderíamos ser mais claros sobre a posição do Reino Unido em relação às Ilhas Malvinas. É de longa data, é inalterada”, disse o porta-voz a jornalistas. Acrescentou que o direito à autodeterminação das ilhas é fundamental e que a posição britânica foi expressa de forma clara a sucessivas administrações dos EUA.

PRESSÃO

Questionado se Starmer considerava a ameaça uma tentativa de pressão de Washington para forçar a entrada do Reino Unido no conflito do Irã, o porta-voz afirmou que o primeiro-ministro não se deixa afetar e “agirá sempre de acordo com o interesse nacional”.

Reino Unido e Argentina travaram uma breve guerra em 1982 pelas ilhas, após uma tentativa argentina frustrada de retomar o controle do território. O conflito resultou na morte de cerca de 650 militares argentinos e 255 britânicos antes da rendição do país sul-americano.