
Dono da JBS se reuniu com presidente dos EUA um dia antes do anúncio de plano para aumentar importações
O empresário brasileiro Joesley Batista, que divide o controle da JBS com o irmão Wesley Batista, pediu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), a redução das tarifas cobradas sobre a importação de carne bovina. A informação é do Wall Street Journal.
Segundo o jornal, Joesley se reuniu com Trump no Salão Oval em 20 de agosto. Os 2 discutiram a possibilidade de ampliar o fornecimento de carne brasileira aos Estados Unidos caso o governo norte-americano retirasse uma tarifa de 26% sobre o produto. Não se sabe quem articulou o encontro.
No dia seguinte à reunião, Trump anunciou nas redes sociais um plano para permitir temporariamente a entrada de uma quantidade maior de carne estrangeira no mercado norte-americano. Segundo o presidente, os produtos importados seriam vendidos por preços 25% inferiores aos praticados no país.
A medida foi formalizada em 26 de agosto. O governo autorizou a entrada de até 300 mil toneladas adicionais de carne bovina magra durante 90 dias, sendo 100 mil toneladas por mês de setembro a novembro. O objetivo é ampliar a oferta e reduzir os preços aos consumidores.
O aumento das importações beneficia empresas com produção no Brasil, entre elas a própria JBS. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos citados pelo WSJ mostram que o Brasil exportou US$ 1,5 bilhão em carne bovina para o país nos primeiros 6 meses de 2026, alta de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A indústria brasileira também viu espaço para ampliar os embarques. A Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) afirmou que a nova cota representa uma oportunidade, embora a exigência de preços mais baixos limite as margens das empresas. A carne contemplada é usada principalmente na fabricação de carne moída e hambúrgueres.
Reação nos EUA
A decisão provocou reação de pecuaristas e congressistas republicanos nos Estados Unidos. A Associação Nacional dos Produtores de Carne Bovina afirmou que a intervenção do governo pode prejudicar os produtores e dificultar a estabilidade do setor no longo prazo.
O WSJ também destacou a proximidade da JBS com o governo Trump. A Pilgrim’s Pride, controlada pela companhia brasileira, doou US$ 5 milhões para a posse presidencial, tornando-se a maior doadora do evento. A JBS afirma ter um longo histórico de participação no processo cívico dos Estados Unidos.
O plano surge em um momento de dificuldades para a operação norte-americana de carne bovina da JBS. A baixa disponibilidade de gado pressionou as margens da companhia, que registrou prejuízo líquido de US$ 102 milhões no 2º trimestre de 2026, apesar da receita recorde de US$ 23,9 bilhões.
A JBS também passa por uma mudança no comando. Wesley Batista Filho, que atualmente dirige a JBS USA, assumirá como CEO global da empresa em janeiro de 2027. A operação norte-americana responde por mais da metade da receita global do grupo.
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