
Com o maior número de casos de chikungunya na área urbana, a região do Jóquei Clube, em Dourados, passou a receber uma força-tarefa com mutirão de limpeza e instalação de armadilhas para conter o avanço do Aedes aegypti. A ação também contempla o bairro Santa Felicidade e reúne esforços do município, Governo do Estado e Governo Federal.
Durante o início das atividades nesta sexta-feira (27), o prefeito Marçal Filho reforçou o apelo à população diante da gravidade da situação. “Estamos recorrendo a todos os meios disponíveis para vencer essa guerra contra o mosquito transmissor dessa doença, mas é importante que cada morador também faça a sua parte, eliminando qualquer ponto de água parada dentro de casa e nos quintais”, destacou.
As equipes iniciaram a implantação das Estações Disseminadoras de Larvicidas (EDLs), tecnologia utilizada para reduzir a proliferação do mosquito transmissor da chikungunya, dengue e zika. A escolha do Jóquei Clube se deve à alta concentração de casos confirmados na região.
“O volume de lixo descartado em terrenos baldios, calçadas e até mesmo nos quintais é impressionante. Esses locais acabam se tornando ambientes ideais para a reprodução do mosquito”, alertou o prefeito.
Segundo o consultor técnico do Ministério da Saúde, Pedro Araújo, a estratégia é mais eficiente em áreas urbanas pela proximidade entre as residências. “O mosquito voa, em média, até 300 metros, por isso as armadilhas são instaladas em pontos estratégicos dentro dos bairros”, explicou.
As armadilhas funcionam como recipientes com água e uma tela impregnada com larvicida. A fêmea do mosquito é atraída, entra em contato com o produto e, ao visitar outros criadouros, acaba contaminando esses locais, impedindo o desenvolvimento de novas larvas. Estudos da Fiocruz indicam que a tecnologia pode reduzir em mais de 66% a população adulta do mosquito.
Dourados recebeu inicialmente 300 armadilhas, com previsão de atingir 1.000 unidades até a próxima semana. Os equipamentos permanecem instalados nos imóveis e passam por manutenção periódica a cada 30 dias.
Paralelamente, o mutirão de limpeza mobiliza equipes da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos, com caminhões e máquinas pesadas, para retirada de entulhos e eliminação de focos do mosquito. Um lixão irregular nos fundos do bairro Santa Felicidade já foi removido.
O secretário municipal de Saúde, Márcio Figueiredo, informou que, após o decreto de emergência, a prefeitura prepara a contratação temporária de agentes de endemias e também de profissionais da saúde, como médicos e equipes de enfermagem, para reforçar o atendimento na cidade e na Reserva Indígena. A expectativa é de aumento nos casos nas próximas semanas.
As ações também seguem intensificadas nas aldeias Jaguapiru e Bororó, onde o trabalho já entra na terceira semana consecutiva.

Boletim aponta avanço da doença
O cenário epidemiológico preocupa. O último boletim registra 1.638 casos prováveis e 780 confirmações em Dourados, com taxa de positividade de 78,15%. Ao todo, 37 pessoas estão internadas, a maioria no Hospital Universitário.
A aldeia Bororó lidera o número de casos, com 147 registros, seguida pelo bairro Jóquei Clube, com 129. Também aparecem entre as regiões mais afetadas os bairros Seleta, Parque do Lago II e Jardim Piratininga.
O município já confirmou cinco mortes pela doença, com vítimas entre um mês e 73 anos, todas na Reserva Indígena.





























