
Para Academia Sueca, diálogo que Carson construiu com a tradição clássica criou novas formas para a literatura contemporânea
A escritora canadense Anne Carson, 76 anos, foi laureada nesta 5ª feira (8.out.2026) com o Nobel de Literatura de 2026. Segundo a Academia Sueca, Carson foi reconhecida pelo diálogo construído com a tradição clássica, que criou novas formas para a literatura contemporânea.
Ela vai receber o prêmio de 12 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6,2 milhões). O prêmio aumentou em 1 milhão de coroas suecas este ano por categoria, em comemoração ao aniversário de 125 anos do Nobel.
“Há apenas alguns minutos, conversei com Carson pelo telefone. Ela foi pega de surpresa. Não tivemos muito tempo de falar, mas ela disse que estava na Islândia, onde estava ouvindo o vento. Ela estava surpresa, mas muito feliz. Eu pude perceber isso em sua voz”, declarou a secretária permanente da Academia Sueca, Ingrid Carlberg, que anunciou o prêmio.
Ela é a 3ª laureada do Nobel de Literatura nascida no Canadá. Antes dela, Alice Munro recebeu o prêmio em 2013, e Saul Bellow, em 1976.
Desde 2018, o Nobel de Literatura tem alternado entre homens e mulheres. Como em 2025 o húngaro Laszlo Krasznahorkai foi o laureado, a expectativa era que, este ano, o prêmio fosse concedido a uma mulher.
Carson é poeta, ensaísta e tradutora. Foi professora na Universidade de McGill, de Michigan e Princeton. Traduziu para o inglês obras da tradição clássica, como as peças de Eurípedes e Sófocles e poemas de Safo.
Seu 1º livro publicado, Eros, The Bittersweet, é um ensaio que investiga as representações na poesia da Grécia antiga que giram em torno do conceito de “eros”, do desejo amoroso. O livro foi traduzido pela Bazar do Tempo (Eros, o doce-amargo) em 2022.
Os poemas de Carson são caracterizados por forte erudição e pela transgressão dos limites que demarcam os gêneros, misturando o verso, a prosa e o impulso ensaístico.
Carson já possuía uma consolidada carreira nos estudos clássicos quando publica seu 1º livro de poesia, Glass, Irony, and God, em 1995. Segundo Daisy Fried, que publicou uma resenha sobre Carson em 2013 no New York Times Book Review, o livro é uma reunião de elementos díspares, capaz de condensar o antigo e o novo.
Esse continua sendo um traço da autora em suas obras seguintes, como Autobiografia do Vermelho: Um romance em versos, de 1998, que ganhou uma tradução no Brasil pela Editora 34 em 2021.
Entre seus outros trabalhos poéticos publicados estão The Beauty of the Husband (2001), Red Doc> (2013), sequência de Autobiografia do Vermelho, e Float (2016), além de Decreation: Poetry, Essays, Opera (2005), que mistura poesia, ensaio e prosa.
Para Anders Olsson, membro da Academia Sueca, a relevância de Carson se deve também por suas colaborações com artistas visuais, coreógrafos e diretores de ópera de teatro. Segundo ele, isso demonstra “a liberdade com que se relaciona com as expectativas literárias e os sistemas de regras. É isso que está por trás da importância extraordinária que sua obra tem, desde os anos 1990, para o cenário internacional das artes e da literatura”.
Leia sobre os Prêmios Nobel que já saíram este ano:
Leia o calendário de divulgação dos demais Prêmios Nobel de 2026:
- Paz – 6ª feira (9.out);
- Economia – próxima 2ª feira (12.out).
Relembre os vencedores dos Prêmios Nobel de 2025:




























