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Quarta-feira, Julho 29, 2026
Início Política Para adrianistas, candidatura de Adriane ficou livre das maluquices do PL

Para adrianistas, candidatura de Adriane ficou livre das maluquices do PL

    Diante da desenhada composição de uma chapa entre o PSDB e o PL para a disputa eleitoral de outubro, algumas peças no tabuleiro da sucessão campo-grandense começam a se mexer – ou a ser mexidas. Nos últimos dias, os bastidores foram decisivos para moldar um quadro de confrontos que ainda por ser lapidado, porém, mesmo disforme, já impõe avanços, recuos, celebrações, decepções, vergonha e alívio no âmbito dos partidos – inclua-se o PP – que se batiam pelo apoio de Jair Bolsonaro.
 

No centro desta faixa do tabuleiro, estão duas pré-candidaturas: a do tucano Beto Pereira e a da prefeita Adriane Lopes (PP). E entre elas, como força corrosiva e pendular, requebra-se o PL. Naturalmente, por ser partido do ex-presidente, tinha a preferência ou a autoridade para indicar o próprio candidato. Até tentou. Mas a incompetência foi tamanha que não conseguiu emplacar nenhuma de suas opções: o deputado federal Marcos Pollon, o ex-deputado estadual Rafael Tavares, os deputados estaduais João Catan e Coronel David.
 

Restava uma alternativa – a que seria ideal, principalmente para Bolsonaro: fechar um entendimento com Adriane Lopes, apoiando seu nome para a reeleição e garantindo espaços importantes no governo. Além da simpatia de Bolsonaro, a solução teve o impulso da senadora Tereza Cristina (PL). Assim, sem uma candidatura viável para fazer a disputa, o PL lucraria indicando o nome na vaga de vice e formando uma competitiva chapa proporcional para a Câmara Municipal.

Seria a saída inteligente. Contudo, inteligência não parece ser o forte do PL-MS. E Pollon fez questão de demonstrar esta realidade, indo às redes sociais e à imprensa para condenar o início das conversas de Bolsonaro e do presidente nacional do PL, Waldemar da Costa Neto, com o ex-governador Reinaldo Azambuja e o governador Eduardo Riedel. Um dos argumentos mais “poderosos” de Pollon contra esta aliança: o PSDB é um partido de esquerda. E ele ainda reforçou sua “explicação”, pontuando que o adjetivo “social” na sigla tucana identifica um credo socialista. Pior: Pollon é advogado e praticante de tiro. No pé.

O MELHOR – Distante do besteirol de Pollon & Cia, o deputado estadual Coronel David, sensato, fazendo jus à condição de bolsonarista original, entendeu que o melhor para o futuro do ex-presidente seria formar na chapa que tem tudo para ser uma das mais fortes. Beto Pereira vem com o lastro político da prestigiada dupla Azambuja-Riedel. Com o PL indicando a candidatura a vice – o nome da vez é o da coronel PM Neidy Centurião -, só restaria um contraponto a exigir equação da direita e do bolsonarismo: a situação da senadora Tereza Cristina.
 

“Madrinha” da candidatura de Adriane à reeleição, a senadora não se rebelou contra seu líder maior, Jair Bolsonaro. Decepcionou-se, é verdade, com a possibilidade de não tê-lo no palanque da prefeita. Preferiu entender que o ex-presidente tem razões superiores para fazer o que fez, depois de dar tantas voltas no troca-troca maluco de nomes pinçados pelo PL. Ela reafirmou que tem lado e não abre mão de apoiar sua candidata, e agora se diz com energia recarregada. Não quer nenhum armistício com o PL – ao menos por enquanto.
 

Por sua vez, Adriane Lopes se impõe agora com maior autoridade política e administrativa. Equidistante de paixões menores no vai-e-vem da política eleitoral e focada no compromisso de cumprir seu papel de gestora, segue lançando e entregando investimentos. É pré-candidata, mas não faz a pré-campanha tradicional, optando, como afirma, por cuidar da cidade. Na política, fez o que tinha de fazer: apoiou Jair Bolsonaro e nada cobrou em troca, nem mesmo quando defendeu Bolsonaro das traições praticadas pelos próprios bolsonaristas.