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Terça-feira, Outubro 13, 2026
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Polícia encerra festa bancada pelo Comando Vermelho no Dia das Crianças em cidade de MS

Local onde produtos seriam distribuídos (Foto: Reprodução)

Policiais civis e militares impediram, nesta
segunda-feira (12), a realização de uma festa de Dia das Crianças em Pedro
Gomes, na região norte de Mato Grosso do Sul. Segundo as investigações, a festa
era organizada e financiada pela facção criminosa Comando Vermelho.

O trabalho teve início dias antes. A partir de troca de
informações com as agências de inteligência, a polícia apurou que a facção
planejava promover “ações sociais” no Dia das Crianças em três municípios do
norte do estado: Sonora, Pedro Gomes e Coxim.

Levantamento prévio indicava data, horário e local do
evento em Pedro Gomes: o campo de futebol do bairro São Luís, às 15h. Também identificou
as organizadoras locais e uma liderança externa da facção, que mantinha contato
direto com elas e com fornecedores. Segundo o levantamento, a contratação de
brinquedos infláveis seria paga em dinheiro vivo, no próprio local, prática que
dificulta o rastreamento da origem dos recursos.

Em Sonora, a ação policial já havia interrompido evento
semelhante, com a prisão de duas mulheres e a apreensão de 200 brinquedos e
doces. Com o padrão confirmado, os esforços se concentraram em Pedro Gomes.

No local foram encontradas duas mulheres montando uma
estrutura de distribuição de alimentos. Questionadas, uma delas afirmou que
organizava um evento para as crianças da comunidade, mas não apresentou
qualquer autorização. No caso, a jovem já era conhecida das forças de segurança
e havia sido citada em registro anterior por supostamente ameaçar vizinhos em
nome da facção.

Verificou-se, ainda, que a prática era financiada pelos
integrantes da organização criminosa, especialmente através das contas
bancárias de uma segunda investigada, que também foi presa em flagrante por favorecimento
ao domínio social estruturado, conforme a nova Lei nº 15.358/2026, que prevê
pena de 12 a 20 anos de reclusão.

Segundo o relatório de investigação, parte dos aparelhos
apreendidos demonstrava a participação nos grupos ligados à facção, com
conversas fazendo referências diretas ao Comando Vermelho, um grupo dedicado às
“finanças” do “projeto Dia das Crianças” e transferências via Pix entre as
investigadas.

A pedido da autoridade policial, a Vigilância Sanitária
municipal foi chamada para avaliar os alimentos apreendidos. A diretoria do
órgão informou que não havia como atestar a segurança dos produtos, já que não
se sabe em que condições de higiene foram preparados. Diante disso, o material
foi considerado impróprio para consumo humano e levado para descarte de forma
adequada.

O ponto reforça um aspecto pouco lembrado: além da
finalidade criminosa, crianças receberiam alimentos de procedência
desconhecida, preparados sem qualquer controle sanitário.

Segundo o relatório policial, as chamadas “ações sociais”
promovidas por organizações criminosas fazem parte de uma estratégia
deliberada. Ao distribuir benefícios e promover eventos comunitários, a facção
tenta se apresentar como protetora da comunidade, criar laços de dependência e
se legitimar diante dos moradores. Ao mesmo tempo, procura colocar o Estado e
as forças de segurança como adversários da população.

Esse fenômeno é descrito como parte da chamada
narcocultura, que busca naturalizar a presença das facções no dia a dia dos
bairros e exaltar seus símbolos e lideranças. O resultado prático, segundo a
investigação, é a formação de redes informais de proteção que desencorajam
moradores a colaborar com a polícia e facilitam a continuidade das atividades
criminosas.

As presas foram autuadas por integrarem e por favorecimento
com organizações criminosas e a polícia pediu ao Poder Judiciário a decretação
da prisão preventiva. Além disso, outras pessoas encontram-se investigadas por
pertencerem ao grupo.