

O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul)
requisitou à Polícia Civil a abertura de inquérito para investigar a elaboração
e a divulgação de listas de empresas e profissionais liberais que seriam alvos
de boicote por divergências políticas em Dourados. O documento também pede a
apuração de possíveis ameaças de demissão e represálias contra trabalhadores em
razão de suas convicções político-eleitorais.
Assinado nesta quinta-feira (29) pelo promotor de Justiça
João Linhares, supervisor das Promotorias de Justiça Criminais de Dourados, o
ofício foi encaminhado ao delegado regional Adilson Stiguivitis Lima. A
requisição prevê a investigação de possíveis crimes de perseguição, incitação
ao crime e associação criminosa, sem excluir outras infrações que possam ser
identificadas.
Segundo o documento, o Ministério Público recebeu
informações de que pessoas estariam organizando e compartilhando listas de
estabelecimentos comerciais para incentivar retaliações econômicas contra
empresários por suas supostas preferências políticas. O ofício também relata
possíveis tentativas de constranger ou pressionar trabalhadores, incluindo
ameaças de demissão relacionadas ao voto.
O promotor cita o caso da ex-deputada estadual e
ex-vereadora Francisca Felisbela Barros, conhecida como Bella Barros, que
deverá ser ouvida para esclarecer comentários relacionados à demissão de
funcionários que não votaram no candidato de sua preferência. O vereador Franklin
Schmalz (PT), que denunciou o caso nas redes sociais, também deverá prestar
esclarecimentos sobre as listas, os possíveis responsáveis pela divulgação e
eventuais represálias contra comerciantes e trabalhadores.
O caso de Bella Barros veio à tona na terça-feira (27),
quando repercutiu uma manifestação feita pela ex-parlamentar nas redes sociais.
Ao comentar uma publicação sobre empresários que estariam dispensando
trabalhadores por terem votado no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT),
Bella afirmou que havia demitido um funcionário e que pretendia dispensar
outros oito “em nome de Jesus”.
“Hoje nós também demitimos um, mas vamos demitir uns oito
em nome de Jesus”, escreveu. Na mesma publicação, ela afirmou que a família
tinha sete restaurantes e defendeu que consumidores priorizassem empresários
que não fossem ligados ao PT.
Horas depois, Bella publicou um vídeo de retratação,
pediu desculpas pelas declarações e negou que algum trabalhador tivesse sido
demitido ou que houvesse planos de novas dispensas. Ela afirmou que os sete
restaurantes pertencem aos filhos e que não tem poder de contratação ou
demissão nas empresas.
A Polícia Civil deverá identificar os responsáveis pela
elaboração e circulação das relações, além de ouvir representantes da
Associação Comercial e Empresarial de Dourados, empresários eventualmente
atingidos e trabalhadores que possam ter sofrido ameaças ou constrangimentos.
O documento informa que foram anexados ao procedimento
uma lista de empresas e profissionais liberais, uma captura de tela de
publicação atribuída a Bella Barros, um vídeo de retratação e uma gravação do
vereador.
























