
O empresário Maurício da
Rosa Orsini classificou como “uma dor imensurável” a perda de seu filho, Vitor
Orsini, de 19 anos, assassinado com 3 tiros na cabeça, no dia 7 deste mês. O crime
ocorreu no pátio da loja de revenda de veículos de Maurício, localizada na
Avenida Hayel Bon Faker, em Dourados. O jovem foi morto por engano.
Vitor trabalhava com o pai
e conversava com o gerente da loja quando foi alvejado pelas costas. Ele chegou
a ser socorrido, mas morreu antes de chegar ao hospital.
Nesta quarta-feira (26), logo
após a Polícia Civil apresentar o resultado das investigações, Maurício Orsini
fez um comunicado de 5 minutos aos jornalistas que foram à Delegacia Regional
da Polícia Civil para a entrevista coletiva. No início, disse que não responderia
a perguntas e não fez qualquer menção aos criminosos.
No comunicado, o
empresário agradeceu aos policiais e falou da dor enfrentada pela família (veja
os vídeos acima). “Vim aqui mais para agradecer a quem me apoiou, a quem está
apoiando a família, a quem está nos abraçando nessa perda imensurável, nessa
dor. Minha criança, meu bebê. A gente vai precisar um pouquinho de sossego
agora”, afirmou.
“Primeiramente eu quero
agradecer às forças de segurança pelo empenho que tiveram, pelo respeito que
tiveram com a minha família. Até agora a gente continua sem entender o porquê aconteceu
isso com nós”, disse o empresário.
Maurício falou brevemente
do momento vivido por ele, sua esposa e a filha adolescente, irmã de Vitor. “Não
nos entendam errado. O que a gente está passando vai demorar um tempo ainda, mas
eu fui muito bem amparado, muito bem atendido”. Sobre o trabalho da polícia,
disse que terá “agradecimento eterno”, pois o desfecho do caso pelo menos
apresentou as respostas que a família tanto esperava.
“Como é que nós íamos
viver sem essa resposta, sobre o que aconteceu? Nunca andamos com medo, não andamos
olhando para trás. A gente só anda olhando para a frente. Meu filho olhava para
a frente, ele não tinha medo de ninguém”.
Ele também criticou
comentários feitos em postagens de redes sociais, principalmente de pessoas que
especularam falsas teorias sobre o crime. “Não sou muito de olhar as redes
sociais, mas acabou chegando coisa do tribunal da internet”.
Maurício disse que Vitor morreu
inocentemente fazendo o que ele mais gostava, que era trabalhar. “Viramos uma
página agora, era necessário e importante. Ninguém deseja isso para ninguém. Agora,
quero um pouquinho de paz para nós”.
Quatro envolvidos no
assassinato de Vitor Orsini estão presos – os pistoleiros Denis Barbosa de
Melo, de 22 anos, e Alexsander Gonçalves Borges, de 27 anos; um adolescente de
17 anos que deu apoio e furtou a moto usada no crime; e o empresário Claudio
Henrique de Arruda, de 43 anos, dono de uma academia de musculação em Ponta
Porã e apontado como mandante. Os dois responsáveis pela contratação dos
pistoleiros – Jeferson Lopes, de 31 anos, e Marcos Antonio Olmedo Vera, de 23
anos – estão foragidos.
De acordo com a Polícia
Civil, foi Claudio que armou a emboscada para matar um ex-comparsa do tráfico
de drogas, residente em Dourados. Esse alvo, identificado como Adriano, deveria
ir à loja às 14h do dia 7 de agosto para ver um carro, a mando de Claudio.
Mas ele não apareceu na
loja e os pistoleiros mataram Vitor achando que era o Adriano, que tem 20 anos
a mais que o rapaz morto. Alexsander Gonçalves Borges, que pilotou a moto usada
no crime, disse à polícia que estava sob efeito de droga quando apontou Vitor
como o homem a ser executado.
Adriano foi ouvido pela
Polícia Civil e alegou desconhecer o plano para matá-lo. Disse que Claudio lhe
deve R$ 300 mil e que esse pode ser o motivo da emboscada, embora tenha alegado
que não vinha pressionando o ex-comparsa para receber a dívida. A polícia ainda
investiga se esse seria de fato o motivo da tocaia para Adriano ou se o plano envolve
desavenças sobre o comércio de drogas. Claudio ficou em silêncio ao ser
interrogado sobre o caso.























