
Depois que o ex-coordenador do Ministério Público Federal (MPF) na Lava Jato, Deltan Dallagnol, teve seu mandato de deputado federal cassado, ampliaram-se as perspectivas de enquadramento e de eventuais punições aos que atuaram de forma suspeita na operação. Agora, é a vez de mais um dos ilustres executores institucionais da Lava Jato, o ex-juiz federal e senador da Republica, Sérgio Moro (União Brasil/PR), fazer seu desfile como acusado no estreito e implacável corredor do Supremo Tribunal Federal.
Investigado e com o mandato na corda bamba, Moro tornou-se hoje (sexta-feira, 15) alvo de uma ação submetida ao STF pelos advogados do doleiro Alberto Youssef. Já chamada de ação-bomba, a peça judicial pode implodir toda a investigação da Lava Jato. Reportagem do jornalista Robson Bonin na “Veja” informa que Youssef teria provas contra Moro capazes de provocar a anulação do acordo de delação premiada feita pelo doleiro ainda no início da operação.

Foi a delação de Youssef que serviu de base no processo conduzido por procuradores e pelo ex-juiz. Investigado na operação Banestado, ele foi detido em 2014. Teve uma condenação de 121 anos, reduzida para três por conta de delação premiada homologada por Moro. Por causa do acordo, ele deixou a prisão em 2016, enquanto a Lava Jato avançava como um “projeto de poder”. A definição é do ministro Dias Toffoli, do STF, na sentença que apontou “erro histórico” na prisão de Lula decretada por Moro.
REGISTRO DESTRUÍDO
Em junho de 2021, o criminalista Augusto de Arruda Botelho afirmou que Sérgio Moro destruiu o registro da audiência que fez com Youssef. O advogado replicou um vídeo que Moro postou nas redes sociais dizendo ser vítima de fake news. Eis a resposta de Botelho:
“Sérgio [Moro], quando o Youssef, desrespeitando as cláusulas da delação que fez no Banestado, voltou a delinquir, você foi comunicado e fez uma audiência com ele. Tempos depois você mandou destruir o registro em vídeo de tal audiência. Por que fez isso?”
Em 12 de julho de 2019, cinco anos após a defesa de Youssef relatar a existência de um grampo ilegal na cela ocupada pelo doleiro em Curitiba, a PF admitiu o fato. Vários veículos publicaram a informação, entre os quais o portal do www.jornalggn.com.br e a “Folha de São Paulo”.
Segundo a notícia, um perito da Superintendência da PF em Curitiba foi o primeiro a admitir, em relatório oficial, que o equipamento clandestino estava instalado, sem autorização judicial. Análise da polícia mostrou que a escuta captou falas de presos da Lava Jato em 2014. São 260 horas (11 dias) de conversas entre Youssef, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e a doleira Nelma Kodama.
Em março deste ano Youssef foi preso novamente, por determinação do juiz Eduardo Appio, substituto de Moro na 13ª Vara Federal de Curitiba. Appio entendeu que o investigado tinha alta periculosidade social e mudou de domicílio sem comunicar à Justiça.
Na ação encaminhada ao STF, Youssef pede que Toffoli assuma a investigação contra Moro sobre os grampos encontrados em sua cela. Diz que houve “ingerência” do ex-juiz no inquérito conduzido pela PF para abafar o caso e, assim, evitar a anulação do acordo de delação, fazendo com que as investigações da Lava Jato fossem anuladas já em sua fase inicial – antes de atingir os alvos principais, entre eles Lula.

























