Rui Costa sugere uso de câmeras nos canteiros de obras do PAC em MS

O ministro da Casa Civil, Rui Costa, esteve na 5ª feira (22.set.23), em Campo Grande (MS), para a apresentação do Novo PAC. Além dele estiveram no ato com as autoridades do estado, os ministros Márcio França e Simone Tebet.

Durante seu discurso, Rui garantiu que esse PAC terá suas obras concluídas e deu dicas ao governador Eduardo Riedel (PSDB), que coloque câmeras dos canteiros de obras para acompanhar se as empresas vencedoras das licitações estão mesmo enviando mão de obra para conclusão dos trabalhos.

“O que garantirá diferença de execução, agilidade de execução e que essas obras não fiquem atrasando? Primeiro, é gestão! E nós contaremos com gestão, com monitoramento, articulando as equipes técnicas dos governos dos estados e dos municípios… E estamos sugerindo, governador, que nos editais de licitação das obras que nós licitaremos no PAC, todas elas tenham a exigência da instalação de câmeras, funcionando 24h por dia para que possamos ter imagens diárias do andamento das obras, medindo o volume de pessoas, de máquinas e que possamos, portanto, identificar instantaneamente problemas que estejam ocorrendo nessas obras, melhorando, por exemplo, não dependendo de relatórios periódicos para o diagnóstico dessas obras”,  argumentou Rui Costa.

Antes de seguir, leia: 

(21.set.23) - O ministro Rui Costa durante discurso de lançamento do Novo PAC em Campo Grande (MS). Foto: Tero Queiroz(21.set.23) – O ministro Rui Costa durante discurso de lançamento do Novo PAC em Campo Grande (MS). Foto: Tero Queiroz

Rui explicou que a palavra ‘reconstrução’ — do slogam do governo Lula — foi escolhida para estimular a retomada de programas exitosos e para corrigir a ausência de programas do governo bolsonarista. Rua revelou que já esperava que encontraria uma bagunça ao assumir em janeiro, mas o ministro se surpreendeu com a falta total de planejamento do governo de Jair Bolsonaro. “Não existia nada, absolutamente nada de planejamento na educação, na saúde, na infraestrutura. Nos deparamos com 14 mil obras paralisadas. Só nas unidades habitacionais tínhamos conjuntos habitacionais, por incrível que pareça, 180 mil unidades paralisadas. Conjuntos habitacionais que estavam com 90% de execução foram paralisados há 5 anos. Coisas inexplicáveis, até para quem pretendia eventualmente buscar uma reeleição, abandonar conjuntos que estavam 80%, 90% construídos. Ou seja, nenhuma, absolutamente nenhuma aptidão pela gestão, pelo planejamento, pelo cuidado com a coisa pública. Então a palavra reconstrução se encaixa perfeitamente. É isso que estamos fazendo aqui, nos unindo para reconstruir o país”, esclareceu.

(21.set.23) - O ministro Rui Costa durante discurso de lançamento do Novo PAC em Campo Grande (MS). Foto: Tero Queiroz(21.set.23) – O ministro Rui Costa durante discurso de lançamento do Novo PAC em Campo Grande (MS). Foto: Tero Queiroz

Falando aos empresários, especialistas econômicos e imprensa, Rui salientou que os pessimistas com o 3º governo Lula vão recuando a medida que a gestão atinge marcas significativas. “Iniciaram o ano com uma visão extremamente pessimista dizendo que o Brasil cresceria no máximo 1%, hoje sinalizam que nós estamos caminhando para chegar a 3% de crescimento já no primeiro ano do presidente Lula. Porque a economia, e eu que sou economista, temos várias variantes da economia e àquelas que acreditam que algum momento o cálculo sofisticado matemáticos de econometria serão capazes de determinar a natureza do pensamento e da decisão do ser humano, mas o ser humano não necessariamente se transforma ou se consegue concebê-lo com cálculos matemáticos. E por isso é fundamental que a esperança, a expectativa positiva, retomada com ascensão à presidência do presidente Lula, transformou o horizonte do povo brasileiro, dos empresários do mundo inteiro que passaram a usar uma expressão: o Brasil voltou! O Brasil voltou ao cenário do diálogo com outros países. O Brasil voltou a acenar ao mundo: queremos intensificar nossas relações diplomáticas, queremos intensificar nossas relações comerciais. Queremos vender para o mundo inteiro, queremos comprar do mundo inteiro. Queremos ajudar a mediar conflitos na medida do possível no mundo. Ou seja, o Brasil não quer guerra, o Brasil quer paz. O Brasil não quer ódio, o Brasil quer diálogo, o Brasil quer emprego”.  

(21.set.23) - O ministro Rui Costa detalhou o slogam do Novo PAC em Campo Grande (MS). Foto: Tero Queiroz(21.set.23) – O ministro Rui Costa detalhou o slogam do Novo PAC em Campo Grande (MS). Foto: Tero Queiroz

O ministro também falou sobre o slogan do PAC: desenvolvimento e sustentabilidade. “É basilar desse PAC, reafirmar o que o mundo espera do Brasil, um país que se destaque em políticas ambientais sustentáveis. Em buscar o equilíbrio entre garantir investimento, oportunizar empregos, mas do outro lado garantir respeito e sustentabilidade para as próximas gerações. E esse equilíbrio é possível, é isso que nós vamos demonstrar nesse período na execução do PAC”, prometeu.

O temor do empresariado e de alguns setores da sociedade é de que as obras desse Novo PAC sofram com paralisações como já ocorreu em governos petistas anteriores. Rui fez questão de por várias vezes esclarecer que o planejamento e gestão eveitará que isso se repita. “Aqui, aos empresários: o PAC significa a volta do planejamento no curto, médio e longo prazo no Brasil. Qualquer nação do mundo, desenvolvida: Alemanha, Suíça, Espanha, China, Coreia… Qualquer nação. Não se constrói uma nação pensando num planejamento de governo, de 4 anos, você só constrói uma nação fazendo planejamento de estado, que necessariamente vai além de um mandato de governo, seja estadual, seja presidencial. Isso precisa ser apropriado pela sociedade. É por isso que nós estamos aqui agradecendo a presença de vocês, porque esse planejamento não pertence só ao presidente Lula, ou ao Eduardo, ele tem que ter um sentimento de pertencimento de todos os empresários, políticos e pela sociedade. É um planejamento que pretende para além do mandato do Eduardo, para além do mandato do presidente Lula. É um planejamento de reconstrução do Brasil na sua infraestrutura e na sua área social”.

UNIÃO

(21.set.23) - O ministro Rui Costa garantiu que o Novo PAC será exitoso em Campo Grande (MS). Foto: Tero Queiroz(21.set.23) – O ministro Rui Costa garantiu que o Novo PAC será exitoso em Campo Grande (MS). Foto: Tero Queiroz

“O presidente foi extremamente feliz ao escolher duas palavras para representar e simbolizar a sua gestão: união e reconstrução. Essas duas palavras tão importantes nesse momento que o Brasil vivia e vive. Não é possível em lugar nenhum do planeta, historicamente, a humanidade não se planejou e construiu seu futuro sem união. Todas as nações que se mostraram polarizadas, divididas, guerreando internamente elas patinaram ou regrediram. É preciso a união, não necessariamente pensamento igualitário, mas a união fruto de um debate democrático, respeitoso. Onde as pessoas podem ter opiniões diferentes, podem torcer para times de futebol diferente, podem ter religiões diferentes, mas são capazes de sentar-se na mesma mesa, dialogar, conviver, trocar ideias e eventualmente buscar sínteses, principalmente quando se fala do interesse público “, avaliou.

CAPACITAÇÃO

Rui convidou os empresários a fazerem um mutirão em conjunto com o estado brasileiro para capacitar a mão de obra para o PAC avançar em todas as regiões do país. “Quero lhe pedir ajuda Eduardo, no sentido de coordenar esse mutirão aqui no estado”, convocou o ministro.

VAZIO DO SUS NO PAC

(21.set.23) - O ministro Rui Costa, a ministra Simone Tebet e o ministro Márcio França, no dispositivo com o governador Eduardo Riedel, deputados federais de MS e prefeitos. Foto: Tero Queiroz(21.set.23) – O ministro Rui Costa, a ministra Simone Tebet e o ministro Márcio França, no dispositivo com o governador Eduardo Riedel, deputados federais de MS e prefeitos. Foto: Tero Queiroz

Na próxima semana Rui Costa disse que Lula lançará um PAC destinado especificamente para os municípios. “Será focado basicamente em 5 áreas… No ministério das cidades com várias obras de intervenção urbana. Peço desde já que vocês mobilizem as equipes, levantem os projetos que vocês tem prontos, porque no final do mês, nos primeiros dias de outubro nos abriremos o sistema para vocês [prefeitos] credenciarem os municípios de vocês, em ações no Ministério das Cidades; no Ministério da Saúde, com equipamentos da atenção básica”.  O ministro disse que Lula pediu para corrigir a inexistência de equipamentos que causam um ‘vazio no SUS’. “Tem um vazio, as pessoas vão às Unidades Básicas de Saúde, mas precisam fazer a sua tomografia, a sua ressonância, a sua endoscopia, colonoscopia, exame de diagnóstico de câncer, precisam fazer muitos exames e esse é grande vazio do SUS do país inteiro. Então, nós vamos oferecer as chamadas Policlínicas Regionais, equipamentos que pretendem, portanto, oferecer todos esses exames de média e alta complexidade, para acelerar o diagnóstico das pessoas”, adiantou.

Para o ministro, a descoberta tardia de doenças tem provocado muitas mortes e as policlínicas vão corrigir isso. “Olhar e focar nesse grande vazio assistencial significa salvar milhares de vidas humanas no país inteiro. Então, nós oferecemos Policlínicas que podem ser contratadas tanto pelo governo do estado, que pode fazer como alguns estados já fizeram: o Ceará fez, a Bahia fez, Goiás aqui do lado fez… um arranjo num consórcio com os municípios. Num consórcio Interfederativo, que envolve estado e município, ou pode ser contratado diretamente pelo consórcio ou eventualmente por município de maior porte”, disse.

UFN3 SERÁ CONCLUÍDA

(21.set.23) - Rui Costa elencou que obras estratégicas para Mato Grosso do Sul aind apodem ser inseridas no Novo PAC.  Foto: Tero Queiroz(21.set.23) – Rui Costa elencou que obras estratégicas para Mato Grosso do Sul aind apodem ser inseridas no Novo PAC.  Foto: Tero Queiroz

Rui Costa também disse que haverá investimentos em equipamentos para instalação de equipamentos de obstetrícia. E haverá ainda oportunidade para adquirir equipamentos para o Esporte e Cultura nos municípios. Além disso, Rui revelou que novas obras podem ser adicionadas ao PAC, inclusive deve ser incluída a conclusão da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3) de Três Lagoas. “É evidente, a Petrobras é uma empresa que tem ações e bolsas que precisa tomar as suas decisões formais, mas é decisão do governo, não podemos deixar inconclusa e nós vamos retomar essa obra, e concluir a produção de fertilizantes. É fundamental para Mato Grosso do Sul, mas também é fundamental para o país a retomada da produção de fertilizantes. Um país que quer ser o celeiro do mundo, que quer ser líder em produção agrícola, não pode ter apenas 20% da produção de seus fertilizantes nitrogenados no país. É preciso crescer esse percentual para a segurança econômica, segurança estratégica do país e evidente, garantir melhores condições para seu desenvolvimento”, garantiu.  

Sobre a concessão da BR 163, Rui avaliou que havia dezenas de contratos semelhantes com obras andando a passos lentos. “A partir dessa orientação já tramita no TCU, nós estamos negociando contrato a contrato, a meta é que consigamos até dezembro finalizar quase todos os contratos, reabilitando esses contratos. Esse da 163 é um contrato que pode e vai ser reabilitado”, sustentou. Rui disse que contratos para a retomada da ferrovia que atravessa Leste/Oeste também serão reabilitados. “Viemos dizer que queremos dar as mãos, juntar esforços, intensificar o diálogo, intensificar o monitoramento, fazer o país voltar a investir. Se esse ano, já no primeiro ano nós já conseguimos 3%, ano que vem nós queremos mais. Aqui Mato Grosso do Sul, Centro-Oeste, que é uma área de forte expansão econômica do país, uma área de forte expansão de crescimento demográfico, sinaliza também a possibilidade de alavancar esses altos percentuais de geração de emprego, de desenvolvimento”, completou.