Sérgio Moro fez ex-delator ‘criar provas ilegais’ contra alvos da Lava Jato

O ex-deputado estadual paranaense Tony Garcia revela ter atuado como agente infiltrado a mando do ex-juiz Sergio Moro: “Eu fui agente infiltrado do Ministério Público, eu trabalhei por dois anos e meio, diuturnamente, com 24 horas tendo um agente da inteligência da Polícia Federal ao meu dispor para eu pedir segurança, para pedir interceptação de telefones, de tudo que colaborasse com a Justiça”, afirmou Tony em entrevista à Veja.

Garcia ainda disse que recebia ordens diretas do Moro: “Ele pedia para eu ir sem advogado. Eu fui 40 vezes ao MPF (Ministério Público Federal), fiquei trabalhando para eles, me fizeram de funcionário”, contou o ex-deputado, em entrevista à CNN.

A situação ocorreu quando Moro, agora senador, ocupava o cargo de titular da 13ª Vara Federal de Curitiba. Na época então juiz, Moro liderou a agora reconhecida como ilegal ‘Operação Lava Jato‘. 

Segundo Garcia, Moro teria cometido ilegalidades durante a Operação, incluindo a criação de provas ilegais e o uso de imagens íntimas de desembargadores em festas para benefício próprio.

Garcia entregou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma série de documentos que mostram tentativas de Moro de investigar ilegalmente desembargadores, juízes e ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

De acordo com Garcia, Moro teria utilizado grampos ilegais para obter informações sobre essas autoridades.

Documentos parte de um acordo de colaboração premiada firmado entre Tony Garcia e Sergio Moro em 2004 fora recentemente revelados. Os documentos estavam sob sigilo na 13ª Vara Federal de Curitiba, mas o juiz Eduardo Appio decidiu levantar o sigilo, permitindo que Tony Garcia tivesse acesso a eles. Agora, esses materiais foram entregues por Tony Garcia ao STF com o objetivo de anular as ações de Moro contra ele.

Nas documentações há registros de 30 tarefas que foram designadas a Tony Garcia por Moro como parte do acordo para evitar sua prisão. Estas tarefas incluíam investigações de autoridades paranaenses com foro privilegiado, utilizando métodos questionáveis, uma vez que essas investigações estavam, legalmente, fora da alçada de atuação de Moro enquanto juiz.

O material entregue ao STF inclui até mesmo registros de conversas telefônicas entre Moro e Garcia, nas quais o ex-juiz pressiona pela execução das tarefas consideradas ilegais.

Em um trecho do acordo, fica evidente a intenção de Moro em obter informações sobre um advogado paranaense e um desembargador, mencionando a busca por uma fita cassete que, supostamente, conteria informações relevantes. “O beneficiário [Tony Garcia] procurará obter a fita cassete junto a Nego Scarpin, onde constaria tal fato, podendo, neste caso, realizar escutas externas”, diz um dos documentos. 

Após as revelações bombásticas virem à tona, Sergio Moro, sustentou que nenhuma das gravações entregues por Tony Garcia ao STF envolve pessoas com foro privilegiado. Moro emitiu uma declaração afirmando: “Tony Garcia é um criminoso que foi condenado, com trânsito em julgado, por fraude e apropriação indébita. Em 2004, fez acordo de colaboração que envolveu a devolução de valores roubados do Consórcio Garibaldi e a utilização de escutas ambientais autorizadas judicialmente e com acompanhamento da Polícia Federal e do MPF. Essas diligências foram realizadas por volta de 2004 e 2005, e todas foram documentadas”.

QUEM É TONY ?

Empresário e político paranaense, Tony Garcia se tornou conhecido por seus investimentos e campanhas políticas criativas. Depois que ajudou a Lava Jato, acabou sendo associado a escândalos de corrupção. 

QUAL O DESEJO DA DEFESA DO EX-DELATOR? 

A defesa de Tony Garcia pediu ao ministro Dias Toffoli que reconheça a parcialidade do ex-juiz Sergio Moro nos processos envolvendo o empresário. O pedido é fundamentado em uma série de fatos e documentos que demonstram ilegalidades na atuação do ex-lavajatista que, entre outras coisas, teria avisado Garcia que iria condená-lo muito antes de proferir qualquer sentença. A conversa consta em relatório da Polícia Federal.