Gestão Adriane proíbe nota de pesar para servidora que tirou a própria vida: ‘sabe que tem culpa’

Uma denúncia feita por servidores da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) expõe não apenas o clima de medo e assédio vivido por trabalhadores da pasta, mas também a postura fria e omissa da gestão Adriane Lopes (PP) diante da morte de uma servidora efetiva, ocorrida no início deste mês.

Segundo relatos encaminhados ao TopMidiaNews, Adriane teria vetado a publicação de qualquer nota oficial de pesar pela morte da funcionária, decisão que causou revolta entre colegas e aprofundou o sentimento de abandono dentro da secretaria.

De acordo com as informações apuradas, a servidora, que atuava há anos na Sesau, era considerada uma profissional dedicada, com experiência administrativa e formação superior. Em dezembro, ela teria sido retirada do setor onde trabalhava, perdeu funções gratificadas e foi remanejada, mudanças que impactaram diretamente sua renda — já considerada baixa para o volume de responsabilidades exercidas. Após um período de afastamento, ela deveria retornar ao trabalho dias antes de morrer.

Colegas relatam que a orientação para não publicar nota de pesar partiu da área de comunicação, sob a justificativa de que “a prefeita não teria autorizado qualquer manifestação oficial”. O silêncio institucional, segundo os denunciantes, contrasta com outras situações em que a prefeitura se manifestou publicamente por falecimentos sem vínculo direto com o quadro efetivo do município.

Para os colegas, a decisão foi vista como desumana e desrespeitosa, tanto com a família quanto com os companheiros de trabalho. “A prefeita não deixou postarem nota de pesar porque ela sabe a culpa que carrega nessa morte. E outra, é uma falta de respeito com a família e com os colegas, uma secretária de saúde que não lamentar a morte de um colaborador “, afirmou uma colega. 

O episódio também reacende críticas antigas à gestão de Adriane Lopes sobre a condução da política de recursos humanos na saúde. Relatos apontam um ambiente marcado por perseguições, assédio moral, cobranças excessivas e ameaça constante de perda de gratificações adicionais que, para muitos, são a única forma de complementar salários que não chegam sequer ao mínimo necessário para uma vida digna. “Aceita-se o cargo para sobreviver, mas se vive sob coação permanente”, resume uma ex-servidora, que preferiu não se identificar por medo de represálias.

O medo, aliás, é um elemento central nas denúncias. Diversos trabalhadores se recusaram a falar oficialmente, mesmo com garantia de sigilo, alegando receio de punições internas. Segundo os relatos, esse clima teria contribuído para o adoecimento menta de inúmeros profissionais ao longo dos anos, incluindo quadros de depressão e afastamentos frequentes.

Ao optar pelo silêncio institucional diante de uma morte que abalou profundamente a Sesau, a prefeita Adriane Lopes reforça a imagem de uma gestão distante dos servidores e insensível ao sofrimento humano que existe por trás dos números e cargos. Mais do que a ausência de uma nota de pesar, o que está em jogo é a forma como a administração municipal trata seus trabalhadores: pessoas que sustentam o funcionamento do SUS na Capital, mas que, segundo eles próprios, são descartadas quando deixam de ser úteis.

A prefeitura e a Secretaria Municipal de Saúde foram procuradas para comentar as denúncias e esclarecer os motivos da não publicação da nota de pesar, mas até o fechamento desta matéria não houve resposta. O espaço segue aberto para manifestações futuras.

Se você ou alguém que você conhece precisa de ajuda emocional, procure o Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo telefone 188, com atendimento gratuito e 24 horas.