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Domingo, Junho 21, 2026
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Projeto feito nos bastidores quer ‘tomar’ único prédio da Cultura na Capital

A prefeitura de Campo Grande (MS) encabeça a tentativa de passar na Câmara Municipal um projeto que tomará dos artistas o único espaço cultural da Capital sul-mato-grossense: o Armazém Cultural, que fica na Esplanada Ferroviária, Centro. Atualmente, utilizado para diversas atividades, de apresentações a exposições. Eis a íntegra do projeto.

O projeto em questão, propõe transformar o Armazém Cultural em um Parque Tecnológico de Inovação, que se chamará ‘Parque Digital’. O Executivo diz que tem R$ 90 milhões em Caixa para fazer reformas e levar empresas para o local. 

Atualmente o prédio público cobiçado acolhe o Armazém Cultural, a Plataforma Cultural e a Galeria de vidro. “Esse projeto nos chegou de surpresa e pronto, encaminhado, com a justificativa de que queriam nossa opinião, participação e apoio. Fomos prontamente contra a conduta e não em si contra o projeto que pode ser implementado em diversos logradouros obsoletos da Capital como a antiga rodoviária e outros”, disse Roberto de Figueiredo, ex-integrante do Grupo de estudo do Parque Digital.

“Quem fala que não esta sendo usado não acompanha a vida artística de Campo Grande. Exposições, feiras, peças de teatro e dança, músicas em local coberto, exposição de flores”, enumera outro artista. (Entenda, abaixo).

PARQUE DIGITAL

Um frame do projeto intitulado ‘Parque Digital’ a ser implantado em prédio da Cultura em Campo Grande, para usufruto de empresários.

Segundo o documento que a reportagem teve acesso, o complexo abrigará 7 prédios divididos em Museu Imaginativo, Estação Digital, e o Complexo da Rotunda que agregaria 5 das edificações citadas. “Além de 4 Hubs de Inovação em bairros distintos”, promete na introdução. 

A proposta de uma Estação Digital no local – daria condições para a criação de um ambiente de integração das instituições de pesquisa, universidades e empresas públicas e privadas. Aqui, estão os maiores interessados em ‘tomar’ o prédio. Eles chamam esses interessados de Instituições de fomento — o Grupo Empresarial ‘S’: Sebrae, Sesi e a Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems). Para o projeto, havia inicialmente, a previsão orçamentária de R$ 55,7 milhões, que já saltou para R$ 90 milhões.

CLASSE É CONTRA USAREM O PRÉDIO

De acordo com artistas da Capital, apesar de um “bom projeto”, a iniciativa herdada da administração de Marquinhos Trad (PSD), agora sob responsabilidade da prefeita Adriane Lopes (Patriota) deveria usar espaços que não são ocupados pela Cultura. Por hora, o projeto é visto como uma grande ‘manobra’ para tomar o único espaço cultural que ainda pode ser solicitado para uso gratuito por artistas campo-grandenses.

Com mais de 1 milhão de habitantes, a capital de MS não tem sequer um teatro público disponível para ensaios e atividades gratuitas à população. Havia o Teatro José Octávio Guizzo do Paço Municipal, que foi tomado há 32 anos dos artistas e transformado em uma sala de reuniões e pronunciamentos do Executivo. Apesar disso, o prédio anexo à Prefeitura, ainda carrega o nome de ‘Teatro do Paço’.

Teatro do Paço em Campo Grande foi tomado dos artistas há 32 anos. Foto: Tero Queiroz 

 Ironicamente, em 23 de novembro de 2021, o prefeito Marquinhos Trad reuniu-se no Paço municipal com os 42 membros do Grupo Especial de Estudo para o Parque digital, de gente de vários órgãos, públicos e privados e apenas 2 representantes da Cultura: Carla Aparecida de Campos Melo e Rose Aparecida Borges (Conselho Municipal de Políticas Culturais – CMPC) e Roberto de Figueiredo, do Conselho Municipal de Proteção ao Patrimônio Histórico – CMPPH. Esse último anunciou nos grupos colegiados e do Fórum, que apesar de terem inserido os 2 agentes culturais no projeto, eles foram amplamente ignorados.

“Infelizmente tudo que colocamos não foi colocado em prática e eles não tem pretensão alguma de mudar a Estação Digital de local. O Armazém vai ser tomado com a desculpa de estar desocupado e não estar sendo utilizado e se deteriorando. Falas que eu escutei na reunião a qual fui convidada a estar presencialmente. Me desculpem dizer isso, mas parece que quem está gerindo esse processo não tem noção da produção cultural da nossa cidade”, lamentou Carla.

MANIFESTAÇÕES NA CÂMARA

Esse é Valdir Gomes, durante a 22ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Campo Grande nesta terça-feira (3.mai.22). Foto: Izaias Medeiros | Câmara MunicipalEsse é Valdir Gomes, durante a 22ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Campo Grande nesta terça-feira (3.mai.22). Foto: Izaias Medeiros | Câmara Municipal

O vereador Valdir Gomes (PSD), usou a tribuna da Câmara nesta terça-feira (3.mai.22) para alertar os colegas e o presidente, Carlão (PSDB), que caso o projeto do Parque Digital ‘tome’ o Armazém, os artistas ficarão com ‘0’ espaços para atividades que geram suas rendas. “Nós temos aqui na cidade poucos espaços para serem usados pela Cultura e aquilo que nós temos, eles querem retirar. Eu venho a esta tribuna, dizer a esses vereadores que, existe um projeto em andamento, projeto este que abrange o Armazém Cultural. O Armazém Cultural é o único espaço hoje que existe para os artistas da cidade, meu presidente Carlão. Nós não podemos admitir, nós não podemos aceitar, entrar… porque que não pegaram a rodoviária, que tem sala da prefeitura lá? Por que está destruída? Vai continuar destruída… A, vai receber milhões de dinheiro. Aplicam-se esses milhões lá [na rodoviária]”, disse ele citando o Hotel Gaspar, o Teatro Glauce Rocha, Aracy Balabanian e Horto Florestal que estão abandonados pela administração. […].

Ainda se manifestaram sobre esse assunto na Câmara a vereadora Camila Jara – PT, e o vereador Ronilço Guerreiro (Podemos). Eles são favoráveis e estão na articulação do projeto, apesar de a classe cultural ser expressamente contrária. 

A prefeita Adriane Lopes, a Subsecretária Municipal de Gestão e Projetos Estratégicos, Catiana Sabadin Zamarrenho e a Subsecretária Adjunta de Gestão e Projetos Estratégicos, Ana Virgínia Knaue, assinam a responsabilidade pelo projeto, apesar disso, é o ex-secretário Rodrigo Terra que sempre foi o maior entusiasta em ‘pegar’ o prédio da Cultura para esse empreendimento. 

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