Wagner confirma que pediu a sócio de Vorcaro para comprar imóvel

Apartamento em Salvador é avaliado em R$ 2,5 milhões e foi comprado por Augusto Lima, empresário baiano que era um dos donos do Banco Master

O líder do Governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), confirmou nesta 5ª feira (18.jun.2026) que negociou com o investidor Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, o apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões mencionado nas investigações da 9ª fase da operação Compliance Zero. A ação da Polícia Federal apura se a transação foi feita em troca de atuações de Wagner a favor de interesses ligados ao Master.

Em entrevista à BandNews, o senador disse que tinha interesse em comprar o apartamento para sua filha. O imóvel está em construção no bairro Horto Florestal, em Salvador (BA). No negócio, Wagner sugeriu a Lima uma dinâmica de compra e recompra.

“É um apartamento que está em construção. Eu tinha interesse em dar o apartamento ou de ajudar minha filha a comprar um apartamento desse. Como o Augusto Lima era um investidor, eu disse a ele: ‘Você pode comprar? Depois, eu vou recomprar. Porque o apartamento está em construção, não está pronto. Então, eu teria que vender o apartamento da minha filha para poder complementar e pagar o apartamento, ou ela financiar”, disse o senador.

Segundo a PF, o imóvel fica no empreendimento Poème Horto, na Rua da Sapucaia. A unidade mencionada nos autos é o apartamento 1702, avaliado em R$ 2,5 milhões. O condomínio está sendo construído pela Moura Dubeux, com previsão de entrega para setembro de 2026.

Wagner negou qualquer transferência de patrimônio para si e declarou não manter negócios diretos com o Banco Master ou com o CredCesta, operação de cartão consignado voltada a servidores públicos que deu origem à atuação da instituição financeira na modalidade de crédito.

Eu não tenho empresa não tenho nada. Eu tenho um apartamento que é o apartamento que eu moro e meu sítio lá em Andaraí. Esse é meu patrimônio e tá declarado no imposto de renda”, disse o líder. 

LIMA NEGA IRREGULARIDADE

A defesa de Augusto Lima afirmou ao Poder360 que as medidas “contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos”. Também disse que Lima “sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública”.

A manifestação é assinada pelos advogados Pedro Ivo Velloso, Eduardo Toledo e Sebastián Mello.

Leia a íntegra da nota:

“As diligências realizadas pela Polícia Federal nesta data eram desnecessárias, uma vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração.

“De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos. 

“Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública.”