Moradora encontra remédios descartados na lixeira da UPA Aero Rancho

Moradora denunciou o descarte de remédios em uma lixeira da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Aero Rancho, em Campo Grande. Em imagens enviadas ao TopMídiaNews, a denunciante mostra as cartelas e indica que o medicamento estaria vencido, já que apresenta data de validade de março de 2026.

No vídeo, ela mostra uma caixa com diversos sacos de lixo, e entre eles algumas cartelas de remédio, identificadas como Omeprazol, indicado para tratamentos gástricos. Ela alega que os medicamentos foram descartados pela UPA, já que as caixas estão no terreno da unidade. “A gente procura na rede pública e não acha”, disse a paciente.

A reportagem investigou o caso e conversou com uma farmacêutica, que não quis se identificar, mas que conhece os procedimentos realizados pela Sesau (Secretaria Municipal de Saúde). A profissional analisou as imagens e indicou que o descarte pode ter sido realizado por outro paciente, já que as farmácias das unidades de saúde possuem protocolo rígido para esse tipo de despejo.

“Quando um medicamento vence na unidade, não é possível jogar ele no lixo comum, é preciso embalar e mandar de volta para a DAF, que é a Central de Distribuição de Medicamentos. Pode ser que algum paciente pegou a medicação e jogou no lixo, porque isso não é rotina nas farmácias, existe uma coleta”, ela explica.

Além disso, ela ainda aponta que as cartelas filmadas pelo paciente estão usadas.

“Parece muito o caso de um paciente ter passado perto desse lixo e jogado esses medicamentos. Até porque são três cartelas inteiras e uma usada, então provavelmente a pessoa estava tomando e jogou o resto”, disse.

Conforme a farmacêutica, existe um procedimento para o descarte, já que todos os medicamentos presentes nas farmácias das unidades são contabilizados. Para haver um descarte, é preciso dar baixa em um sistema, com justificativa para a saída desse remédio. “Para quem trabalha nas unidades, é preciso justificar o porquê de a medicação ter vencido, por que pediu uma quantia que sabia que não teria saída, por que não remanejou o medicamento. É bem complicado”, confirma.

“Tenho certeza de que não foi nenhum funcionário que fez esse descarte. Mas existem pessoas que têm quase um prazer em difamar os serviços públicos”, pontua.

Já sobre a alegação que os remédios estariam vencidos, a profissional também explica que a legislação vigente fala que o prazo de validade é até o último dia do mês indicado na embalagem, conforme a RDC (Resolução da Diretoria Colegiada) nº 317, de 22 de outubro de 2019, da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). “No caso do vídeo, o medicamento poderia ser consumido até o último dia de março de 2026, ele ainda está no prazo de validade”.