FHC, 95 anos: apoio a Lula contrariou direita, diz diretor de fundação

Sergio Fausto, da Fundação FHC, comenta percepção atual sobre governo do ex-presidente, que completa 95 anos nesta 5ª feira

O diretor-geral da Fundação FHC, Sergio Fausto, disse que a direita “ficou muito contrariada” com o apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que completa 95 anos nesta 5ª feira (18.jun.2026), a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2022. A declaração foi dada em entrevista ao Poder360.

Ele [FHC] compreendeu que era decisivo para o Brasil não reeleger o Bolsonaro. Ele foi explícito no apoio que deu ao Lula”, disse.

Fausto afirmou que há “uma centro-direita que se diz de centro-direita, mas que sofre de uma fobia pelo PT, e a fobia é tanta que ela se abraça com o [Jair] Bolsonaro”. Para ele, a reclamação desse grupo ao ex-presidente “fala bem” de FHC e mal “de quem o critica por isso”.

O diretor defende a existência de uma “centro-direita liberal, que não namora o bolsonarismo” e que reconhece a importância do ex-presidente em temas como a estabilidade econômica e a agenda de liberalização do país.

Já sobre a esquerda, que historicamente teve embates com FHC em seus governos –de 1995 a 2002–, Fausto avalia que a “experiência com Bolsonaro mostrou que o PSDB daquele período era um partido formado por democratas e progressistas”.

Para ele, o que permanece depois de 24 anos que o ex-presidente ficou fora do Planalto é “um sentimento de respeito”.

Nada como o tempo e alguns sustos para as pessoas reverem os seus conceitos”, afirmou.

Questionado se enxergava em alguma pré-candidatura à Presidência, como a de Aécio Neves (PSDB-MG), uma continuidade do legado político de FHC, Fausto disse que não. “No PSDB atual, não reconheço o PSDB do qual fui um entusiasta”.

Personagem atuante na redemocratização do Brasil nos anos 1970 e 1980, FHC tem Alzheimer e não participa mais da vida pública. Presidente do Brasil de 1995 a 2002, co-fundou o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira). É sociólogo e foi sob o seu comando como ministro da Fazenda que foi implantado o Plano Real, medida econômica que criou a moeda (o real) e debelou décadas de inflação descontrolada.