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Quinta-feira, Setembro 3, 2026
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Ministério Público denuncia mandantes e pistoleiros que executaram Vitor Orsini

Claudio Arruda (centro), os pistoleiros Denis e Alexsander (à esquerda) e Jeferson e Marcos, que estão foragidos (Fotos: Reprodução)

O Ministério Público denunciou 5 envolvidos na trama e no
assassinato de Vitor Orsini, de 19 anos, executado com 3 tiros de pistola 9
milímetros na loja de revenda de veículos do pai, em 7 de agosto de 2026, em
Dourados.

Assinada pelo promotor Luiz Eduardo Sant’anna Pinheiro, a
denúncia aponta como mandantes do crime o empresário Claudio Henrique de
Arruda, de 43 anos; Jeferson Lopes, de 31 anos, o “Boy”, e Marcos Antonio
Olmedo Vera, de 23 anos, o “Marquinhos”, todos moradores em Ponta Porã.

Como autores materiais do assassinato, o MP denunciou os
pistoleiros Denis Barbosa de Melo, de 22 anos, oriundo de Brasília (DF) e
integrante da facção criminosa TCP (Terceiro Comando Puro); e Alexsander Gonçalves
Borges, de 27 anos, também morador de Ponta Porã.

Os 5 envolvidos foram denunciados por homicídio
qualificado mediante pagamento, porte ilegal de arma de uso restrito, concurso
de pessoas, pelo furto da Honda Biz usada no crime e por corrupção de menor de
idade, pois contrataram um adolescente de 17 anos para furtar a moto e dar
apoio na empreitada criminosa.

A denúncia não inclui o adolescente, porque, no Brasil,
pessoas com menos de 18 anos que cometem infrações não respondem a um processo
criminal com base no Código Penal, mas sim a uma representação com base no ECA
(Estatuto da Criança e do Adolescente). Ele segue detido na Unei (Unidade
Educacional de Internação).

Tudo por dinheiro

A denúncia do Ministério Público ratifica as informações
já divulgadas pela Polícia Civil, de que Vitor Orsini foi assassinado por
engano. O verdadeiro alvo, um morador de Dourados identificado como Adriano, de
39 anos, é quem deveria ser morto.

Segundo o trabalho de investigação da polícia, Adriano
havia emprestado R$ 240 mil para Claudio de Arruda, dono de uma academia de
musculação no Bairro da Granja, em Ponta Porã. Os dois possuem antecedentes por
tráfico de drogas e foram presos juntos, em 2013. A dívida deveria ser paga em
3 meses.

Com a correção de juros, o valor já estava em R$ 300 mil.
Entretanto, Claudio teria optado por uma saída mais barata: junto com Jeferson
Lopes e Marcos Antonio, tramou a morte de Adriano.

O SIG (Setor de Investigações Gerais) apontou Jeferson e
Marcos como os contratantes dos pistoleiros. Denis foi recrutado por R$ 20 mil
para executar o alvo. Alexsander recebeu R$ 5 mil para pilotar a moto. Já o
adolescente que furtou a moto ganhou R$ 1.500. Foi Marcos que forneceu a
pistola Taurus G3 9 milímetros.

Com os matadores contratados, restou a Claudio de Arruda
armar a emboscada para Adriano. Por meio de aplicativo de conversa, ele pediu
para o antigo parceiro ir até a loja de revenda de veículos na Avenida Hayel
Bon Faker para negociar a compra de uma Toyota Hilux SW4 por volta de 14h do
dia 7 de agosto.

Claudio também entrou em contato com a loja e conversou
com Vitor Orsini, para informar que um emissário seu iria ao local negociar o
veículo. O jovem trabalhava como vendedor no estabelecimento do pai.

Em uma BMW X1 branca ano 2015, Jeferson e Marcos trouxeram
os dois pistoleiros até Dourados. Depois que a dupla pegou a moto com o
adolescente, os dois homens se posicionaram nos arredores da loja, para se
certificarem de que o plano seria colocado em prática.

Denis e Alexsander foram informados sobre o alvo – um
homem com mancha no rosto e que estaria na loja naquele horário. Só que Adriano
não chegou na hora marcada. Em depoimento à Polícia Civil, ele disse que se
atrasou porque estava comprando materiais de construção com a esposa.

No depoimento à Polícia Civil, Denis contou que, ao ver
Vitor junto com o pai circulando a loja, achou que o jovem era o homem a ser
morto. Após passar pelos dois no corredor, ele foi até o banheiro do
estabelecimento e saiu de lá já com a pistola destravada.

Pelas costas, disparou um tiro na cabeça de Vitor. Quando
o jovem caiu no chão, foi alvejado com mais 2 tiros: um no lado esquerdo do
peito e outro no ombro direito. Esse terceiro projétil atravessou o pescoço da
vítima e transfixou perto da orelha esquerda. Vitor foi socorrido, mas morreu
antes de chegar ao hospital.

Após abandonarem a moto usada no crime no Jardim Canaã
VI, Denis e Alexsander receberam novamente a ajuda do adolescente que havia
furtado a moto para comprar outras roupas. Depois, seguiram para Ponta Porã em
carro de aplicativo, contratado por Jeferson e Marcos Antonio. Quando voltaram
à fronteira, foram informados que tinham matado a pessoa errada e teriam de
“fazer o serviço certo”.

O pistoleiro Denis Barbosa de Melo contou em depoimento
que passou alguns dias na casa de integrantes da facção da qual faz parte em
Ponta Porã, mas temendo pela própria segurança, foi para o distrito de Nova
Itamarati e se hospedou em um hotel, onde foi preso no dia 11 de agosto. A
denúncia do MP cita que Denis recebeu proposta para matar Alexsander.

Cadeirinha
infantil

A denúncia do promotor de Justiça cita também um detalhe
do destino que custou a vida de Vitor Orsini. O jovem deveria ter saído da loja
na companhia do pai, Mauricio da Rosa Orsini, minutos antes de ser assassinado.

Um amigo do proprietário da loja esperava por ele em uma
caminhonete Amarok prata estacionada em frente. Mauricio entrou na caminhonete
e saiu com o amigo. Vitor deveria ter ido junto, mas os bancos traseiros
estavam ocupados por cadeirinhas de transporte de criança.

As imagens das câmeras de monitoramento mostraram o jovem
tentando entrar no banco traseiro da caminhonete. Outro vendedor da loja, que
estava ao lado de Vitor no momento do assassinato, chegou a brincar: “vai na
cadeirinha”.

Sem lugar na caminhonete para acompanhar o pai, Vitor
voltou para a loja, encostou-se em um carro e ficou conversando com o outro
vendedor. Enquanto mexia no celular, foi assassinado pelas costas. O Poder
Judiciário ainda analisa a denúncia do Ministério Público. Se a aceitar, todos
se tornarão réus pelos crimes.

Em depoimento a jornalistas, na semana passada, Mauricio
Orsini disse que a dor pela perda do filho é “imensurável” e pediu paz para
seguir a vida com a esposa e a filha adolescente.