32 C
Dourados
Quarta-feira, Setembro 30, 2026
Início Política Lindbergh pede que STF investigue Flávio por fraude nos Correios

Lindbergh pede que STF investigue Flávio por fraude nos Correios

Deputado questiona relatoria de Kassio Nunes Marques no caso; esquema causou prejuízo de R$ 94 milhões à estatal

O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) acionou o Supremo Tribunal Federal para pedir a reabertura da investigação sobre referências ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no âmbito da operação Postal OFF. A ação, iniciada em 2019, apurou um esquema de fraude nos Correios que causou um prejuízo de pelo menos R$ 94 milhões à estatal. Eis a íntegra do documento (PDF – 451 kB).

Segundo a investigação, o esquema envolvia o recebimento de grandes volumes de correspondências com cobrança inferior ao valor efetivamente postado. A fraude dependeria da atuação de funcionários e dirigentes em posições estratégicas dos Correios, capazes de permitir o subfaturamento e neutralizar mecanismos de controle interno.

Na petição, Lindbergh afirma que há 3 referências independentes à atuação de um senador na intermediação de nomeações para cargos nos Correios. Os episódios ocorreram de dezembro de 2018 a abril de 2019 e, segundo o deputado, deveriam ter sido investigados em conjunto com as demais provas da operação.

A 1ª referência aparece em uma conversa de dezembro de 2018. Conforme a petição, Eduardo Scheurer, também chamado de Duda, é um empresário ligado ao Grupo Positiva, que aparece nas investigações da operação Postal OFF. Ele teria dito que tinha acesso a um senador para levar demandas relacionadas a cargos nos Correios. 

Um documento com o nome de Francisco Arsênio de Mello Esquef, ex-executivo dos Correios que ocupou cargos de direção na estatal, também teria sido preparado para Flávio Bolsonaro. Registros telefônicos posteriores indicariam uma reunião entre envolvidos no episódio.

A 2ª referência está em áudios de fevereiro de 2019. Conforme o documento, o empresário Carlos Favoreto iria a Brasília apresentar uma proposta para a indicação de um presidente dos Correios. A negociação envolveria, segundo o relato registrado na gravação, um pagamento mensal de R$ 1 milhão em troca da nomeação. A conversa também relacionaria Favoreto a Flávio Bolsonaro e a eventos de arrecadação da campanha de 2018.

Em outro episódio, uma interceptação telefônica autorizada, de abril de 2019, registrou o então diretor dos Correios em São Paulo, Marco Venicio da Costa, afirmando que uma pessoa influente havia solicitado uma indicação para uma estrutura estadual da empresa. Segundo a petição, no dia seguinte, o interlocutor identificou essa pessoa pelo sobrenome Bolsonaro.

Áudios ficaram fora dos autos

Lindbergh afirma que os elementos relacionados a Flávio não foram efetivamente investigados. Segundo a petição, os principais áudios permaneceram fora dos autos por mais de 1 ano e só foram anexados em fevereiro de 2021, depois do encerramento da fase ostensiva da operação.

O deputado sustenta que, depois da inclusão tardia dos arquivos, não foram realizadas diligências para confrontar os relatos com outras evidências. Entre as medidas que poderiam ter sido adotadas, segundo a petição, estão a verificação de registros de entrada em prédios, agendas oficiais, viagens e dados telefônicos dos envolvidos.

Em abril de 2021, a Justiça Federal encaminhou o caso ao STF. Na decisão, a juíza Claudia Maria Dadico considerou as referências potencialmente relevantes e afirmou que a polícia deveria esclarecer se os relatos eram só um blefe ou se poderiam indicar participação de Flávio.

O caso foi distribuído ao ministro Kassio Nunes Marques. A Procuradoria Geral da República avaliou, à época, que a simples menção ao senador não era suficiente e que Flávio não havia sido investigado. Nunes Marques devolveu o processo à 1ª instância em dezembro de 2021.

A petição de Lindbergh diz que não houve arquivamento de uma investigação contra Flávio, porque o senador não chegou a ser formalmente investigado. Por isso, segundo o deputado, seria possível retomar a apuração para verificar as referências presentes nos áudios.

Pedido de preservação de provas

Além da reabertura da investigação, Lindbergh pede ao STF uma decisão urgente para preservar as provas. O requerimento inclui os arquivos originais dos áudios e sua cadeia de custódia, registros de entrada e agendas oficiais, documentos relacionados a nomeações nos Correios e registros de viagens entre Rio de Janeiro e Brasília.

A petição também pede perícia para verificar a autenticidade, integridade e metadados dos arquivos, além da oitiva de pessoas citadas nas gravações e na investigação.

O documento também solicita explicações da Polícia Federal sobre a demora para incorporar os áudios ao processo e sobre a ausência de diligências para verificar as informações neles contidas.

A petição não apresenta como comprovada a participação de Flávio Bolsonaro no esquema. O pedido é para que as referências sejam novamente apuradas e que sejam realizadas diligências capazes de esclarecer eventual participação do senador e de outras pessoas nos fatos investigados.

Lindbergh também pede que o inquérito 4.866 seja distribuído por sorteio a outro ministro do STF. O deputado argumenta que Nunes Marques não deveria ser considerado prevento e cita ainda o impedimento declarado pelo ministro em setembro de 2026 em outro processo, além de sua condição de presidente do TSE durante o período eleitoral.

OUTRO LADO

O Poder360 procurou a assessoria do candidato Flávio Bolsonaro (PL) para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito do assunto. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.