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Terça-feira, Outubro 20, 2026
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Homem sequestrado na fronteira foi torturado por 24 horas e teve olho colado


Marcelo Juan Ortiz Moura, de 26 anos, sequestrado por um
grupo de homens armados, na madrugada de segunda-feira (19), e encontrado morto
na manhã de hoje na linha internacional, recebeu golpes no rosto e na cabeça. Ele
também apresentava sinais de tortura.

O médico legista Lucas Riveros examinou o corpo e disse
que a morte ocorreu provavelmente na madrugada desta terça-feira, o que levanta
a hipótese de que Marcelo foi torturado por 24 horas e, após, o óbito, jogado
em uma estrada de terra na Colônia Portera Ortiz, na região norte de Pedro Juan
Caballero, cidade vizinha de Ponta Porã.

Procurado desde 2023 pela Justiça de Mato Grosso do Sul
por tráfico de drogas, Marcelo era paraguaio, mas também tinha documento
brasileiro em nome de Marcelo Ruan Lazaro Ortiz. Segundo o jornal ABC Color,
ele era apontado como chefe de pistoleiros e suspeito de ser autor de vários
homicídios em Ponta Porã.

O médico legista do Ministério Público do Paraguai informou
que o corpo não apresentava marcas de golpes de faca ou tiros e que a causa da
morte foram os ferimentos na cabeça e no rosto. Marcelo também teve um dos
olhos tapado com cola.

A brasileira Carolina Benites Arce, executada a tiros de fuzil (Foto: Reprodução)

Companheira executada

Marcelo foi sequestrado por volta das 4h de segunda-feira
(19) por 10 homens armados com fuzis que chegaram à residência onde ele estava,
na Rua Valois Rivarola, no Bairro Obrero, em Pedro Juan Caballero.

Câmeras de segurança registraram a chegada do grupo em
duas SUVs da Toyota. Uma era branca e a outra cinza. Os criminosos usavam
roupas táticas pretas e estavam fortemente armados.

Parte dos homens permaneceu na rua, enquanto os demais forçaram
o portão da garagem e invadiram a casa. Marcelo foi retirado do imóvel e
colocado à força em um dos veículos.

A atual companheira dele, a brasileira Carolina Benites
Arce, de 27 anos, foi levada para a frente da casa, derrubada na calçada por um
dos criminosos e executada com 5 tiros de fuzil calibre 7,62. Um dos disparos
dilacerou seu rosto.

Conforme o promotor de Justiça Emilio Álvarez,
responsável pela investigação, as imagens de segurança indicam que tanto
Marcelo quanto Carolina eram alvos dos criminosos. O homem passou cerca de 24 horas
em poder dos sequestradores, até ser morto e jogado na estrada de terra.

Também na manhã de hoje, na Colônia Potrero Sur, na zona
rural entre Zanja Pytã e Pedro Juan Caballero, policiais paraguaios encontraram
uma camioneta Toyota Fortuner completamente incendiada, com danos na
carroceria, nas portas, nos pneus e no interior. O modelo é semelhante aos dois
veículos utilizados no ataque à casa de Marcelo.

Há duas principais linhas de investigação: mortes
relacionadas ao tráfico de drogas e crime passional. Carolina teria relacionamento
anterior com outro traficante da fronteira e havia sido jurada de morte pelo ex-companheiro.
Entretanto, não há nenhuma evidência da verdadeira motivação do crime.