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Segunda-feira, Outubro 19, 2026
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Homem sequestrado por bandidos que mataram companheira dele é fugitivo da Justiça de MS

Policiais ao lado do corpo da brasileira, executada de madrugada em Pedro Juan Caballero

Marcelo Juan Ortiz Moura, de 26 anos, levado por
criminosos armados durante ataque que terminou com a morte de uma brasileira na
madrugada desta segunda-feira (19), em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, é
considerado foragido da Justiça brasileira por tráfico de drogas.

Ele também possui documentos brasileiros em nome de
Marcelo Ruan Lázaro Ortiz, identidade vinculada a uma ordem de recaptura em um
processo que tramita em Campo Grande.

A informação foi divulgada pelo jornal paraguaio ABC
Color, com base em dados levantados pela Polícia Nacional do Paraguai e
compartilhados com o Ministério Público daquele país.

As autoridades identificaram a existência de documentos
com os dois nomes e descobriram a pendência judicial no Brasil. O mandado de prisão
foi expedido no dia 5 de março de 2023 pelo juiz Albino Coimbra Neto, da 2ª Vara
de Execução Penal da Capital.

Marcelo foi levado por aproximadamente 10 homens armados
com fuzis que invadiram uma residência no Bairro Obrero, em Pedro Juan
Caballero, cidade paraguaia separada por uma rua de Ponta Porã. Durante a ação,
a companheira dele, a brasileira Carolina Benites Arce, de 27 anos, foi
assassinada a tiros em frente ao imóvel (veja o vídeo abaixo).

Rosto dilacerado
por tiros

A inspeção do corpo, feita pelo médico legista Gustavo
Galeano, identificou 5 ferimentos provocados por disparos de fuzil calibre 7,62.
Segundo o profissional, o ferimento mais grave foi causado por um tiro que
atingiu a região da orelha, atravessou o crânio e dilacerou a boca e o nariz da
vítima.

O ataque ocorreu por volta das 4h, em uma residência
localizada na Rua Valois Rivarola, nas proximidades da Rua Choferes del Chaco.
Imagens de câmeras de segurança registraram a chegada dos criminosos em duas
caminhonetes Toyota Hilux SW4 (chamada de Fortuner no Paraguai), uma branca e
outra cinza. Os homens vestiam roupas táticas pretas e carregavam armas de
grosso calibre.

Parte do grupo permaneceu na rua enquanto os demais
forçaram o portão da garagem e entraram na residência. Marcelo foi retirado da
casa usando apenas roupa íntima e colocado à força em um dos veículos. Carolina
também foi levada para a parte externa do imóvel e executada com tiros na
cabeça.

O promotor de Justiça Emilio Álvarez, responsável pela
investigação, afirmou que as imagens indicam que tanto Marcelo quanto Carolina
eram alvos dos criminosos. Segundo ele, a gravação mostra que a mulher foi
derrubada por um dos integrantes do grupo antes de receber os tiros. A
declaração contraria a hipótese inicialmente divulgada de que ela teria sido
morta ao resistir ao sequestro do companheiro.

Durante a perícia, os investigadores encontraram quatro
cápsulas deflagradas de calibre 7,62 e duas munições intactas de calibre 5,56.
Dentro da residência, também foram apreendidos carregadores, documentos
relacionados a armas de fogo, aparelhos celulares e equipamentos do sistema de
monitoramento por câmeras. O material será analisado para tentar identificar os
envolvidos e esclarecer a motivação do crime.

Outra informação investigada pela polícia paraguaia é o
possível envolvimento de um antigo companheiro de Carolina. Conforme o ABC Color,
os investigadores receberam informações de que a brasileira teria mantido, até
recentemente, um relacionamento com outro homem procurado por tráfico de drogas
no Brasil. A polícia considera a possibilidade de o ataque ter relação com esse
histórico, mas ainda não apresentou elementos que confirmem a hipótese.

Sobrevivente

Uma terceira pessoa estava na residência durante a
invasão. O brasileiro Geovanne Matheus Rodrigues Martínez, de 28 anos, apontado
como possível secretário de Marcelo, não foi atacado pelos criminosos. Ele foi
encaminhado à sede do Ministério Público paraguaio para prestar depoimento
sobre o ocorrido.

A Polícia Nacional do Paraguai também comunicou o caso às
autoridades brasileiras de Ponta Porã, diante da possibilidade de os criminosos
terem atravessado a fronteira durante a fuga.

Até o início da tarde desta segunda-feira (19), o
paradeiro de Marcelo permanecia desconhecido. O promotor Emilio Álvarez
informou que os investigadores ainda não tinham pistas concretas sobre o local
para onde o homem foi levado e analisavam imagens de câmeras de segurança da
região.