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Quarta-feira, Junho 24, 2026
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Bolsonaro surta com queda de popularidade em ato contra o aborto e se esquece que vetou a vacina

Incapaz de reconhecer os desgastes que vem acumulando desde que perdeu as eleições para Lula e evitar sistematicamente as responsabilidades pelos desastres sociais e políticos que causou ao Brasil, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) insiste em narrativas fantasiosas. No sábado, (8.out.23), ao liderar em Belo Horizonte uma manifestação contra a descriminalização do aborto, foi surpreendido com a presença de um publico bem menor ao que estava acostumado até deixar a presidência.

Para não acusar o golpe, saiu-se com esta, pelo microfone que usava em cima de um carro de som: “Passei por aqui no ano passado, essa praça estava completamente cheia. Creio que a diminuição no número de pessoas vai pelo temor do que aconteceu no 8 de Janeiro”. Não satisfeito, emendou: “Lá [em Brasília] eram brasileiros, patriotas que foram se manifestar e entraram em uma arapuca, uma armadilha patrocinada pela esquerda. E hoje muitos irmãos nossos estão sendo condenados por esses atos. Reprovo, sim, a dilapidação de patrimônio público, mas não justifica a pena”.

Sua fala recebeu calorosos aplausos da esposa, Michelle, do deputado federal Nikolas Ferreira (PL) e do deputado estadual Bruno Engler (PL). A ex-primeira-dama fez o discurso que vem repetindo, condenando o aborto e descrevendo as características de um feto da 1ª à 12ª semana de gestação. E caprichou no apelo de fundo religioso para comover mais o público. Ironia: os pronunciamentos de Bolsonaro em favor da vida e contra o aborto seriam naturais e acreditados se não fosse ele, quando presidente, o principal líder da resistência negacionista que fez milhares de brasileiros se recusarem a ser imunizadas durante a pandemia de Covid-19, que causou mais de 700 mil´mortes no Brasil.

O CONDENADO

Declarado inelegível por oito anos pela Justiça Eleitoral, Bolsonaro é alvo de centenas de processos com tramitação acelerada desde que concluiu o mandato e perdeu o foro privilegiado. Advogados do PL calculam que ele já perdeu cerca de 95% das ações já julgadas e para as quais ainda cabem recursos de segunda instância. Sua condenação pelo TSE foi por cometer grave crime eleitoral, praticado pouco antes da disputa presidencial, quando reuniu dezenas de embaixadores no Palácio da Alvorada para atacar e tentar desacreditar a Justiça Eleitoral, questionando, sem provas, a credibilidade e a lisura do sistema do voto eletrônico.

Além da sentença condenatória pela reunião com os embaixadores, o ex-presidente já perdeu a causa e foi punido por outros crimes. Entre as derrotas que sofreu na Justiça estão a indenização de R$ 20 mil à deputada Maria do Rosário (PT-RS) por ato misógino; R$ 35 mil à repórter da “Folha de São Paulo”, Patrícia Campos Melo, por incitação sexual — quando sugeriu que a jornalista “deu o furo” para produzir reportagens contra ele —; mais R$ 150 mil por ataques a jornalistas em dois processos; e R$ 30 mil por associar o senador Omar Aziz (PSD-AM) à pedofilia na CPI da Covid.

O PL é que paga uma parcela dos gastos com advogados utilizando recursos públicos do fundo partidário. Se o ex-presidente for condenado, o montante a ser pago em indenizações pode chegar a R$ 2 milhões. Em 2022, ele declarou ao TSE um patrimônio de R$ 2,2 milhões. Fora da presidência, é bancada todo mês com uma renda de R$ 86 mil, vitaminada por repasses do PL. Não obstante, ao perder suas ações ele recorreu aos seguidores e fez uma campanha para receber doações via PIX e até o primeiro semestre deste ano havia arrecadado R$ 17,2 milhões.