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Quarta-feira, Agosto 5, 2026
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Carter Center desiste de observar eleições de 2026 no Brasil

Organização fundada por Jimmy Carter cita dificuldades financeiras e cancela missão de observação eleitoral no Brasil

O Carter Center, organização não governamental sediada nos Estados Unidos, desistiu oficialmente de participar como observador das eleições brasileiras de outubro de 2026. A entidade comunicou a decisão ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), deixando o pleito sem a única organização norte-americana convidada para acompanhar a disputa, informou a Folha de S.Paulo nesta 4ª feira (5.ago.2026).

A ausência amplia o protagonismo de missões como as da OEA (Organização dos Estados Americanos), da União Europeia, que participará pela 1ª vez de uma eleição no Brasil, da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) e da Uniore (União Interamericana de Organismos Eleitorais).

A desistência foi motivada por dificuldades financeiras. Os cortes promovidos pelo governo de Donald Trump (Partido Republicano) na assistência internacional reduziram quase 10% do orçamento anual do Carter Center. O jornal Atlanta Journal-Constitution estimou as perdas em cerca de US$ 11 milhões (R$ 56,4 milhões). Além disso, parte dos doadores europeus redirecionou recursos para a missão da União Europeia no Brasil.

Fundado em 1982 pelo ex-presidente Jimmy Carter e por Rosalynn Carter, o Carter Center realizou mais de 100 missões de observação eleitoral em cerca de 40 países. No Brasil, participou das eleições de 2022 com uma equipe de quatro especialistas, que atuou por dois meses acompanhando o processo eleitoral.

No relatório divulgado depois daquele pleito, a organização registrou que as autoridades brasileiras consultadas demonstravam confiança nas urnas eletrônicas e na integridade da eleição. Também recomendou aperfeiçoar o combate à desinformação, ampliar o acesso aos locais de votação e incentivar auditorias conduzidas por universidades. O documento ressaltou ainda que limitações de tempo e de orçamento impediram análises mais aprofundadas.

Pelas regras internas da organização, o Carter Center não pode receber recursos do país onde atua como observador, o que impediu compensar a perda de financiamento. Historicamente, a entidade é financiada por governos, fundações, empresas e agências internacionais, incluindo a Usaid (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional), o Departamento de Estado dos Estados Unidos e países europeus.

Além do Carter Center, a Ifes (Fundação Internacional para Sistemas Eleitorais), que também acompanhou as eleições de 2022, não participará do pleito de 2026.

O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, defende a ampliação da observação internacional para reforçar a credibilidade do processo eleitoral. O tema ganhou relevância depois que o The Washington Post revelou que integrantes do governo Trump planejavam viajar ao Brasil para questionar a segurança das urnas eletrônicas. O Itamaraty negou os vistos para a missão.