Corpo de Bombeiros realiza queima controlada para prevenir incêndios florestais em MS

Com foco na prevenção de grandes incêndios florestais em Mato Grosso do Sul, o Corpo de Bombeiros Militar realizou uma operação de queima prescrita no Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema (Pevri), localizado na Bacia do Rio Paraná. A ação faz parte do MIF (Manejo Integrado do Fogo), estratégia utilizada para reduzir riscos ambientais e fortalecer a capacidade de resposta em caso de incêndios.

A operação ocorreu entre os dias 1º e 4 de maio e envolveu bombeiros militares especializados, além de equipes do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), responsável pela administração da unidade de conservação, que possui cerca de 73,3 mil hectares e integra o bioma Mata Atlântica nos municípios de Taquarussu, Naviraí e Jateí.

Segundo o capitão do Corpo de Bombeiros, Samuel Pedrozo, responsável pela operação no parque, a técnica é considerada essencial para evitar incêndios de grandes proporções durante o período de estiagem.

“Essas práticas são fundamentais para controlar a biomassa acumulada e diminuir o risco de grandes incêndios florestais. O uso do fogo controlado, aliado à abertura de aceiros e ao planejamento adequado, tem se mostrado extremamente eficiente na mitigação dos incêndios, principalmente quando realizado no período correto”, destacou.

A ação preventiva considera também os efeitos do fenômeno climático El Niño, que neste ano deve intensificar as condições favoráveis aos incêndios nos biomas sul-mato-grossenses, como Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal.

De acordo com os estudos climáticos utilizados pelo Estado, o fenômeno pode provocar temperaturas mais elevadas, inclusive durante o inverno, além de irregularidade nas chuvas, aumentando significativamente o risco de fogo.

Para garantir segurança e precisão no manejo, as equipes utilizaram geotecnologias e monitoramento aéreo. A operação contou com drones equipados com sensores infravermelhos e câmeras térmicas, permitindo acompanhamento contínuo da área, inclusive no período noturno, além da identificação da fauna presente na região.

O planejamento levou em consideração as condições climáticas locais. A queima foi iniciada no horário de maior temperatura do dia, próximo dos 30°C. Com a redução natural da temperatura ao longo da tarde e o aumento da umidade do ar, o fogo perdeu intensidade até se extinguir naturalmente. Mesmo assim, as equipes permaneceram em prontidão durante toda a operação.

O gerente das Unidades de Conservação do Imasul, Leonardo Tostes, ressaltou a importância do manejo controlado dentro das áreas protegidas.

“Nas unidades de conservação, como o Parque Estadual Várzeas do Rio Ivinhema, o manejo adequado do fogo é essencial para manter o equilíbrio ecológico e proteger a biodiversidade. Essas ações são planejadas com base em critérios técnicos rigorosos”, afirmou.

Além da prevenção aos incêndios, o manejo também auxilia no controle de espécies exóticas invasoras e favorece a regeneração da vegetação nativa. O método utilizado permite que o fogo avance lentamente e com baixa intensidade, garantindo tempo para fuga da fauna e preservando a estrutura natural da vegetação.

O guarda-parque do Pevri, Dione Sales dos Santos, explicou que a medida evita incêndios de grandes proporções durante o período mais seco do ano.

“Se esse manejo não fosse feito, todo esse material acumulado serviria como combustível para incêndios severos, como ocorreu em 2024. Com o MIF conseguimos manter o fogo sob controle, preservar a vegetação e garantir áreas de refúgio para os animais. É uma forma correta e segura de manejo preventivo”, explicou.

*Com informações do Governo de MS