
Liga profissional de basquete feminino dos EUA (WNBA) se transformou no grande “case” do marketing esportivo do momento
Sobram estrelas, sobra dinheiro, sobram polêmicas, cestas incríveis e sobra público. O basquete feminino encontrou o seu lugar ao sol. E deve ter um final de temporada apoteótico. Estamos na semifinal do campeonato.
Atlanta Dream enfrenta New York Liberty e do outro lado da chave o Golden State Valkyries joga contra o Las Vegas Aces. Golden State e Atlanta lideram as séries “melhor de 5” por 2 X 0. Estão a uma vitória da final. O time de Atlanta é liderado por Jordin Canada e Angel Reese. A 2ª vitória sobre Nova York foi polêmica (arbitragem), então uma reação da equipe mais rica da liga não é impossível. Golden State está prestes a eliminar as campeãs em exercício mesmo na disputa da sua 2ª temporada na WNBA. Sinal dos tempos. E da classe de Gabby Williams. Mais informações sobre os jogos e as finais aqui, e, claro, em toda a mídia do ramo.
Os números viraram a grande atração da temporada. Sem desmerecer a qualidade do basquete jogado e assistido. Diferentemente disso, os lucros comprovam a qualidade do jogo e excepcional talento das principais atletas. Por isso, uma coleção de recordes financeiros. Os contratos de venda de direitos de transmissão subiram para US$ 281 milhões anuais. O time de Golden State é a 1ª franquia a superar a marca de US$ 100 milhões de receitas anuais. Já foi a 1ª a superar US$ 1 bilhão em valor de mercado. E o time de Nova York vale US$ 600 milhões. Ninguém consegue comprar um time da WNBA por menos de US$ 460 milhões.

O público que sustenta este espetáculo chega a 91 milhões de espectadores únicos. São 3,79 milhões de torcedores que vão aos ginásios e uma média de 770 mil telespectadores por partida. Mesmo com a obrigação de administrar custos operacionais crescentes a WNBA atingiu, pela 1ª vez na história, o patamar de receitas que impõe, por contrato uma divisão de lucros com as atletas.
Os 13 times vão receber ao final do ano US$ 8 milhões para dividir entre as atletas. Pode não ser muito para jogadoras com salário médio anual de US$ 500 mil, mas é lucro. A “revenue share” da WNBA com suas atletas é talvez o melhor símbolo do momento “ganha-ganha” que a liga está vivendo.
Elas merecem. Muitos especialistas do mundo do basquete acreditavam que a WNBA nunca poderia oferecer um grande espetáculo porque “as meninas não conseguiam “enterrar”. As atletas de hoje enterram o tempo inteiro. Nem precisam de um vacilo da marcação. Depois, veio a barreira dos “3 pontos”. Mesmo papo. Meninas “não conseguem” os 3 pontos. Passado.
Caitlin Clark acerta, sempre que precisa o “chute” de 3 pontos, arremessando do meio da quadra. Clark representa Michael Jordan no basquete feminino. Seus jogos pelo Indiana Fever costumam ter uma audiência 40% superior a qualquer outra partida. “Clark sustenta essa liga”, dizem as más línguas.
Caitlin é a ponta de um iceberg de jogadoras especiais e de grandes personagens. A lista de atletas “fora de série” na WNBA é imensa. E como boa entidade norte-americana a WNBA tem sido muito hábil em criar narrativas, personagens, drama, tretas… tudo o que o esporte precisa para dar espetáculo para todas as audiências. Um caso típico é Sophie Cunningham, uma combinação entre musa e bad girl que domina o espaço digital como as quadras.
O sucesso da WNBA alimenta duas polêmicas centrais. A da proibição das atletas trans, uma bandeira da direita, e a da falta de inclusão no sistema de comunicação da liga. Ativistas reclamam que só as atletas brancas e bonitinhas acabam ganhando espaço nas campanhas publicitárias e promocionais da liga e dos principais patrocinadores. Ou seja: nada de novo neste front.
Sim, as mulheres sabem jogar. O público norte-americano descobriu agora o que nós, brasileiros, sabíamos faz tempo. Quem viu Hortência e Paula, sabe perfeitamente que as mulheres são capazes de tudo numa quadra de basquete.




























