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Quarta-feira, Outubro 21, 2026
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Governo Trump tomou parte na eleição brasileira, diz Mauro Vieira

Ministro afirma caber aos brasileiros decidir nas urnas se houve interferência dos EUA e critica Eduardo: “Tenho mais o que fazer”

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo publicada nesta 4ª feira (21.out.2026), que representantes do governo de Donald Trump (Partido Republicano), dos Estados Unidos, “tomaram parte” nas eleições brasileiras.

Questionado pelo jornalista Felipe Frazão se houve ingerência concreta do governo norte-americano no pleito, o chanceler respondeu: “Olha, tomaram parte, tomaram um lado, fizeram fotografias. Hoje a imprensa está cheia de artigos dizendo que foram manipulados algoritmos em mensagens”.

Para Vieira, no entanto, cabe ao povo brasileiro decidir se considera que houve interferência norte-americana na eleição presidencial. E essa decisão deve ser expressa nas urnas, na escolha entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

“O mais importante é a defesa do sistema brasileiro, é o povo brasileiro. Os brasileiros é que vão mostrar o que querem fazer nas urnas, que modelo estão procurando o que consideram que é interferência, o que é intromissão e o que não é”, respondeu o ministro.

A pedido do repórter, Vieira também comentou a declaração do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), que disse que, se o irmão Flávio for eleito presidente, haverá uma “faxina” no Itamaraty.

“É péssimo, né? Primeiro, porque não é a forma de se atuar. Em uma democracia, você não ameaça. Você dialoga, conversa, negocia”, disse.

O ministro mencionou ainda a carta enviada a Flávio pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em resposta a uma mensagem do senador. No documento, Rubio manifesta otimismo em relação às eleições de outubro e agradece a oferta de Flávio de colocar uma equipe de transição à disposição do governo norte-americano caso seja eleito.

“Saiu publicado, com nome e sobrenome, na imprensa o que fariam no caso de futura vitória, de estabelecer um comitê para coordenar as posições com os EUA. Eu acho isso péssimo”, declarou o ministro.

“Eu nunca vi isso. Na história das relações diplomáticas, em meus 50 anos de carreira, nenhum país fez esse tipo de coisa. Você faz [transição] entre o governo que deixa e o governo que assume. Você cria uma equipe de transição para que seja passado. Isso é normal em todas as democracias. Agora, com um país estrangeiro, para quê? Para entregar antes do tempo, para se submeter? Isso eu acho que é um péssimo sinal”, acrescentou.

Questionado sobre por que evita comentar as declarações de Eduardo Bolsonaro, Vieira respondeu: “Eu tenho mais o que fazer. Eu não o conheço, não sei o que ele fala. Um sujeito que pede terra arrasada, que pede tarifa e tudo mais. A população brasileira tem de decidir onde está o interesse brasileiro: querem fazer a transição e entregar tudo antes [aos EUA]?”.