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Sábado, Julho 4, 2026
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Jovem denuncia padrasto por abusos sexuais ocorridos ao longo da infância

Uma jovem procurou a Polícia Civil em Dourados e denunciou ter sido vítima de violência sexual praticada pelo próprio padrasto ao longo de vários anos. O caso foi registrado nesta semana na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) e é investigado como estupro, com agravante por se tratar de crime cometido por alguém que exercia autoridade e convívio direto com a vítima.

Conforme o registro policial, a jovem relatou que passou a morar com a mãe e o padrasto ainda criança, no bairro Parque das Nações II. Segundo o depoimento, os abusos tiveram início quando ela tinha cerca de 10 anos de idade e ocorreram de forma recorrente dentro da casa onde vivia com a família. A vítima completou a maioridade recentemente e decidiu denunciar os fatos após anos em silêncio.

A jovem afirmou que, durante esse período, sofria constantes ameaças e intimidações sempre que tentava resistir. O padrasto, de acordo com o relato, utilizava pressão psicológica e inversão de culpa para impedir que ela revelasse o que acontecia, o que gerou medo e fez com que a situação não fosse denunciada anteriormente.

Ainda segundo a vítima, os abusos cessaram apenas depois que ela iniciou um relacionamento amoroso e passou a afirmar que procuraria a polícia. Mesmo assim, o comportamento do homem teria mudado para atitudes de controle excessivo, ciúmes e restrições. Incentivada pelo atual companheiro, com quem se relaciona há cerca de sete meses, a jovem decidiu buscar ajuda formal.

Ela também contou que chegou a relatar os abusos à mãe meses antes, mas não foi acreditada. A falta de apoio fez com que evitasse a residência da família, situação que chamou a atenção do pai biológico e da madrasta. Questionada por eles, a jovem relatou tudo o que havia vivido e passou a receber acolhimento do casal.

De acordo com o boletim de ocorrência, após serem informados, o pai e a madrasta comunicaram à mãe da jovem que procurariam a polícia. Desde então, a mãe estaria pressionando a filha para retornar à casa e impedindo que terceiros retirassem seus pertences do local.

Diante do contexto, a vítima solicitou medidas protetivas de urgência tanto contra o padrasto, apontado como autor dos abusos, quanto contra a mãe, por entender que ela tinha conhecimento dos fatos e não comunicou às autoridades. O pedido inclui a proibição de qualquer tipo de contato ou aproximação.

A Polícia Civil informou que a solicitação será encaminhada ao Poder Judiciário dentro do prazo legal de até 48 horas. A jovem foi orientada a evitar contato com os denunciados, acionar a polícia em caso de risco e manifestou interesse em receber acompanhamento psicológico por meio do Programa Viva Mulher. O caso segue sob investigação.