
O conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), Domingos Brazão, negou nesta 4ª feira (24.jan.24), envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista dela Anderson Gomes, após ser citado como mandante pelo ex-PM bolsonarista Ronnie Lessa em delação premiada. “Lessa deve estar querendo proteger alguém. A polícia tem que descobrir quem”, indicou Brazão, em entrevista ao O Globo.
Como mostramos aqui no MS Notícias, Marielle e Anderson foram executados em 14 de março de 2018, após serem emboscados. Como mostramos aqui, Ronnie era o ‘sub-chefe’ do trio (ex-policial militar Élcio Queiroz e o ex-sargento do Corpo de Bombeiros, Maxwell Simões Corrêa, o Suel) que emboscou e efetuou 13 disparos de submetralhadora HK MP5 de fabricação alemã contra o carro em que estava Marielle e Anderson. Élcio disse que dirigiu o carro usado no crime; Élcio também disse que vigiou as vítimas e que Lessa efetuou os disparos.
Ronnie foi o último a delatar e, segundo o The Intercep, citou Brazão como mandante da execução. A motivação seria uma vingança contra o então deputado federal Marcelo Freixo, que listou Brazão no inquérito das milícias no Rio.
Ao O Globo, Brazão argumentou que nunca foi apresentado às vítimas e que foi investigado pela Polícia Civil, Polícia Federal e Ministério Público, sem que tenha sido achado nada. “Nunca fui apresentado à Marielle, ao Anderson, nem tampouco a Lessa e Élcio de Queiroz. Jamais estive com eles. Não tenho meu nome envolvido com milicianos. A PF não irá participar de uma armação dessas, porque tudo que se fala numa delação tem que ser confirmado”, disse em entrevista.
“Não tem nada mais forte que a verdade. Esse golpe foi abaixo da linha de cintura. É algo que desgasta. Fui investigado pela Polícia Civil, pela PF e pelo Ministério Público. Não acharam nada. Por que protegeriam o Domingos Brazão? Que servidor público colocaria em risco sua carreira para me proteger? Eu desafio acharem algo contra mim”, afirmou Brazão.
Ele também reclamou por não ter tido acesso à segunda parte das investigações do caso Marielle que tramita no STJ. Um relatório da Polícia Federal de 2019 o apontou como o “principal suspeito de ser autor intelectual” dos assassinatos da vereadora e do motorista, mas Brazão sempre negou a participação no crime. “Sempre estive à disposição. Minha família vem sofrendo muito com isso. Fiquei feliz em saber que ele fez a delação, mas ele tem que dizer a verdade. A morte de Marielle revelou muita sujeira embaixo do tapete. Agora querem me empurrar para isso. Se tem alguém que foi sabatinado, investigado, esse alguém foi Domingos Brazão. É um desgaste grande. Estou sangrando, mas não tenho medo de investigação”, completou.
























