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Sexta-feira, Setembro 18, 2026
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Mandante e pistoleiros do assassinato de Vitor Orsini estão em presídio na Capital

Claudio de Arruda (à esq.), Denis Barbosa de Melo (centro) e Alexsander Borges (Foto: Reprodução)

Os 3 presos pelo assassinato do jovem Vitor Orsini, de 19
anos, ocorrido na loja de revenda de veículos do pai dele, em 7 de agosto de
2026, em Dourados, estão na Penitenciária Estadual Masculina de Regime Fechado
da Gameleira II, conhecida como “Federalzinha”, em Campo Grande.

A transferência ocorreu há uma semana e, segundo o
sistema penitenciário, foi por “motivo operacional”.

O empresário Claudio Henrique de Arruda, de 43 anos,
apontado como mandante do crime, e os pistoleiros Denis Barbosa de Melo, de 22
anos, e Alexsander Gonçalves Borges, de 27 anos, estavam na PED (Penitenciária
Estadual de Dourados) e agora vão aguardar o julgamento no presídio da Capital.

Com 110 celas e capacidade para 603 internos em regime
fechado, a Gameleira 2 ganhou o apelido de “Federalzinha” por adotar rigor
estrutural e de segurança semelhante ao padrão de presídios federais.

Claudio de Arruda é dono de uma academia de musculação em
Ponta Porã. Ele foi apontado pela Polícia Civil como mandante do assassinato,
mas o alvo era outro, um morador de Dourados identificado como Adriano, de 39
anos. O empresário tinha uma dívida de R$ 240 mil com Adriano, supostamente relativa
a um empréstimo.

Denis Barbosa de Melo, que disparou os 3 tiros de pistola
na cabeça de Vitor, é oriundo de Brasília (DF) e apontado como integrante da
facção criminosa TCP (Terceiro Comando Puro). Já Alexsander morava em Ponta
Porã e pilotou a moto usada no crime.

Réus

Nesta semana, o juiz Rodrigo Barbosa Sanches, da Vara das
Garantias, Tribunal do Júri e Execução Penal, aceitou a denúncia do Ministério
Público e tornou os 3 acusados réus por homicídio qualificado, associação
criminosa, posse ilegal de armas e corrupção de menores, já que o grupo
contratou um adolescente de 17 anos para furtar a moto usada pelos pistoleiros.

Também passam a ser réus os 2 envolvidos que seguem
foragidos: Jeferson Lopes, de 31 anos, o “Boy”, e Marcos Antonio Olmedo Vera,
de 23 anos, o “Marquinhos”, moradores em Ponta Porã. Eles contrataram os
pistoleiros e forneceram a arma do crime.

O juiz também determinou novos procedimentos policiais,
como conclusão do laudo pericial nos celulares apreendidos, depoimentos de
motoristas de aplicativo contratados pelos envolvidos e identificação do
responsável pela transferência de dinheiro via Pix para o adolescente implicado
no assassinato. O pagamento saiu da conta de uma empresa não revelada.

Morto por engano

Segundo a investigação da polícia, Adriano havia
emprestado R$ 240 mil para Claudio de Arruda, dono da academia de musculação no
Bairro da Granja, em Ponta Porã. Os dois possuem antecedentes por tráfico de
drogas e foram presos juntos, em 2013. A dívida deveria ser paga em 3 meses.

Com a correção de juros, o valor já estava em R$ 300 mil.
Para não pagar a conta, Claudio teria tramado a morte de Adriano junto com
Jeferson Lopes e Marcos Antonio.

O SIG (Setor de Investigações Gerais) apontou Jeferson e
Marcos como os contratantes dos pistoleiros. Denis foi recrutado por R$ 20 mil
para executar o alvo. Alexsander recebeu R$ 5 mil para pilotar a moto. Já o
adolescente que furtou a moto ganhou R$ 1.500.

Claudio de Arruda é acusado de armar a emboscada para
Adriano. Por meio de aplicativo de conversa, ele pediu para o antigo parceiro
ir até a loja de revenda de veículos na Avenida Hayel Bon Faker para negociar a
compra de uma Toyota Hilux SW4 por volta de 14h do dia 7 de agosto.

Claudio também entrou em contato com a loja e conversou
com Vitor Orsini, para informar que um emissário seu iria ao local negociar o
veículo. O jovem trabalhava como vendedor no estabelecimento do pai. A polícia
encontrou as mensagens no celular de Vitor.

Em uma BMW X1 branca ano 2015, Jeferson e Marcos
trouxeram os dois pistoleiros até Dourados. Depois que a dupla pegou a moto com
o adolescente, os dois homens se posicionaram nos arredores da loja, para se
certificarem de que o plano seria colocado em prática. A BMW estava registrada
em nome de um supermercado de Ponta Porã e até agora não foi encontrada.

Denis e Alexsander foram informados sobre o alvo – um
homem com mancha no rosto e que estaria na loja naquele horário. Só que Adriano
não chegou na hora marcada. Em depoimento, ele disse que se atrasou porque
estava comprando materiais de construção com a esposa.

No versão contada à Polícia Civil, Denis revelou que, ao
ver Vitor junto com o pai circulando pela loja, achou que o jovem era o homem a
ser morto. Após passar pelos dois no corredor, ele foi até o banheiro do
estabelecimento e saiu de lá já com a pistola destravada.

Pelas costas, disparou um tiro na cabeça de Vitor. Quando
o jovem caiu no chão, foi alvejado com mais 2 tiros: um no lado esquerdo do
peito e outro no ombro direito. Esse terceiro projétil atravessou o pescoço da
vítima e transfixou perto da orelha esquerda. Vitor chegou a ser socorrido, mas
morreu a caminho do hospital.

Após abandonarem a moto usada no crime no Jardim Canaã
VI, Denis e Alexsander receberam novamente a ajuda do adolescente para comprar
outras roupas. Depois, seguiram para Ponta Porã em carro de aplicativo,
contratado por Jeferson e Marcos Antonio. Quando voltaram à fronteira, foram
informados que tinham matado a pessoa errada e teriam de “fazer o serviço
certo”.

Denis Barbosa de Melo contou em depoimento que passou alguns
dias na casa de integrantes da facção da qual faz parte em Ponta Porã, mas
temendo pela própria segurança, foi para o distrito de Nova Itamarati e se
hospedou em um hotel, onde foi preso no dia 11 de agosto. A denúncia do MP cita
que Denis recebeu proposta para matar Alexsander.