

O ex-deputado estadual Roberto Razuk morreu nesta
quinta-feira (15), aos 85 anos, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde
estava internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) com quadro de infecção
pulmonar. Ele enfrentava problemas de saúde há anos e atualmente cumpria prisão
domiciliar por determinação judicial, no âmbito da Operação Successione,
investigação que apura a atuação de uma organização criminosa ligada à
exploração do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul.
Roberto Razuk construiu sua trajetória principalmente em
Dourados, onde manteve influência política e proximidade com o futebol
regional. Ele foi presidente do Ubiratan Esporte Clube, o “Leão da Fronteira”, tricampeão
sul-mato-grossense.
Ao longo de décadas, porém, também teve o nome associado
a investigações policiais e processos judiciais, incluindo uma condenação por
crimes relacionados à obtenção fraudulenta de financiamento bancário no início
dos anos 2000 e, mais recentemente, as acusações investigadas pela Operação
Successione.
Mandatos na
Assembleia Legislativa
Nascido em Campo Grande, em 7 de março de 1941, Roberto
Razuk foi deputado estadual por Mato Grosso do Sul durante dois mandatos
consecutivos, entre 1987 e 1995. Eleito inicialmente pelo Partido da Frente
Liberal (PFL), voltou à Assembleia Legislativa após as eleições de 1990, desta
vez pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT).
Sua atuação política teve como uma das principais bases
eleitorais Dourados, município onde também ganhou notoriedade pelo envolvimento
com o esporte.
Casado com Délia Godoy Razuk, ex-vereadora e ex-prefeita
de Dourados, ele também se tornou patriarca de uma família com presença na
política estadual. Um de seus filhos, Roberto Razuk Filho, conhecido como Neno
Razuk, exerceu mandato de deputado estadual. Os outros dois filhos são Jorge
Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk. Os 3 estão presos atualmente, também investigados
na mesma operação contra o pai.
Fraude bancária
O histórico judicial de Roberto Razuk remonta à década de
1990. Em 1995, quando ainda exercia mandato parlamentar, ele foi acusado de
participar de uma fraude para conseguir um financiamento milionário do Banco do
Brasil destinado à construção de um armazém de grãos em Dourados.
Segundo a denúncia apresentada à época, o empréstimo, de
aproximadamente R$ 3,5 milhões em valores daquele período, teria sido obtido
mediante a apresentação de documentos fraudulentos relativos a uma propriedade
rural em Ladário, identificada como Fazenda Nabileque, oferecida como garantia
da operação.
Em agosto de 2002, Razuk foi preso no curso desse caso.
No ano seguinte, em 2003, foi condenado pela Justiça Federal a 20 anos de
prisão por crimes que incluíam falsificação de documento público, falsidade
ideológica, uso de documento falso e irregularidades na obtenção e aplicação de
financiamento de instituição financeira pública.
Dois anos depois, em junho de 2007, voltou a ser preso
durante a Operação Xeque-Mate, da Polícia Federal, que investigou a exploração
ilegal do jogo do bicho e de máquinas caça-níqueis em Mato Grosso do Sul. Em
2014, entretanto, o Tribunal de Justiça do Estado anulou as provas daquela
investigação e absolveu os investigados.
Operação
Successione
O capítulo mais recente da trajetória policial de Roberto
Razuk começou a ganhar destaque com a Operação Successione, investigação do Gaeco
(Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), do Ministério
Público de Mato Grosso do Sul.
A apuração busca esclarecer a atuação de uma organização
criminosa suspeita de explorar jogos ilegais, praticar corrupção e recorrer à
violência para ampliar o domínio sobre o jogo do bicho no Estado. A
investigação também envolve suspeitas de roubos armados e outros crimes
relacionados à disputa pelo controle da atividade ilegal.
O nome da operação, palavra italiana que significa
sucessão, faz referência à disputa pelo espaço deixado após a Operação Omertà,
deflagrada em 2019 contra estruturas criminosas que atuavam em Mato Grosso do
Sul.
Em 25 de novembro de 2025, durante a quarta fase da
Successione, Roberto Razuk foi preso preventivamente. Na mesma operação, foram
presos seus filhos Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk. Neno Razuk exercia
mandato de deputado e só foi preso neste ano, ao perder a cadeira na Assembleia
Legislativa. Antes de ser capturado, ele ficou 1 mês escondido na Bolívia.
De acordo com as apurações do Gaeco, integrantes do grupo
teriam atuado para estabelecer e manter o controle da exploração ilegal do jogo
do bicho, inclusive por meio de práticas violentas, corrupção e outros delitos.
A investigação atribuiu posições de liderança a integrantes da família Razuk.
Prisão domiciliar
A situação de saúde de Roberto Razuk foi determinante
para a forma como passou a cumprir as medidas judiciais. Preso em novembro de
2025, ele foi colocado em prisão domiciliar em razão de seu quadro clínico
debilitado.
O empresário enfrentava problemas de saúde havia pelo
menos 14 anos e já havia passado por cirurgias para retirada de tumores. Em
2025 e 2026, seu estado clínico motivou internações e episódios de agravamento,
incluindo passagens pela UTI.
Em maio de 2026, decisões judiciais mantiveram a prisão
domiciliar, com ajustes nas medidas cautelares impostas ao ex-deputado. Em
agosto, ele voltou a ser internado em estado considerado gravíssimo, segundo
notícias publicadas na época. A morte ocorreu nesta quinta-feira, no Hospital
Sírio-Libanês, em São Paulo.



























