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PT faz live de 8 horas e pede 1º turno para já encerrar a 6 X 1

Transmissão mobiliza militância na véspera da eleição e associa resultado imediato a um avanço trabalhista no Congresso

A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez, neste sábado (3.out.2026), uma live de 8 horas para mobilizar a militância na véspera do 1º turno. Batizada de “Lulaço”, a transmissão pediu a reeleição do presidente já no domingo (4.out) e associou o resultado à possibilidade de avançar no Congresso com o fim da escala 6 X 1.

Com previsão de término às 23h13, a transmissão reuniu ministros, economistas, candidatos e apresentadores. O conteúdo incluiu vídeos de campanha, leitura de comentários do chat e orientações sobre a votação. 

Lula não participou da live. O formato também é usado pelo adversário, Flávio Bolsonaro (PL), que faz transmissões ao vivo semanais nas redes sociais desde 23 de julho, retomando uma estratégia do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na 5ª feira (1º.out), Flávio entrou ao vivo para criticar decisões judiciais e convocar eleitores às urnas, depois de desistir de participar do debate da TV Globo, que acabou cancelado.

1º  turno como atalho

O economista José Luis Oreiro defendeu que uma vitória de Lula no domingo (4.out) facilitaria a aprovação de propostas no Congresso já na semana seguinte. Como mostrou o Poder360, o petista costurou um acordo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para que a votação fosse viabilizada entre o 1º e o 2º turno.

“É fundamental o presidente Lula ser reeleito e ser reeleito no 1º turno”, afirmou.

Segundo Oreiro, a reeleição imediata permitiria avançar com essa e outras pautas. Ele também elogiou a medida sobre as bets, que chamou de “golaço” por devolver renda ao consumo das famílias.

Participantes da live também usaram o ato de Lula em São Paulo como sinal de otimismo. O PT estimou mais de 100 mil pessoas na caminhada entre a Paulista e a praça Roosevelt.

Na transmissão, a avaliação foi de que o público superou a expectativa e de que foi o maior dos últimos atos da campanha, o que, segundo os participantes, alimenta a esperança de vitória já no domingo.

Ao longo das 8 horas, apresentadores e convidados pediram que a militância trabalhasse até a meia-noite para convencer indecisos: mandar mensagens a amigos, postar conteúdo e conversar com quem ainda não decidiu.

 Também pediram atenção a eleitores idosos, para quem o voto é facultativo, e a adesão de mais pessoas como “porta-vozes” de Lula no WhatsApp.

Saúde, economia e alimentos

Padilha prometeu, em um eventual novo mandato, ampliar os serviços da Farmácia Popular. Segundo ele, o programa passaria a oferecer exames e teleconsultas com médicos, nutricionistas, fisioterapeutas e psicólogos.

“A pessoa faz o exame lá mesmo, tem o resultado na própria farmácia”, disse.

O ministro afirmou que o programa atende 27 milhões de pessoas e que uma família média com idoso, hipertenso e criança asmática economiza cerca de R$ 9.000 por ano.

A economista Laura Carvalho, da USP, defendeu a continuidade do governo e criticou o plano de corte de gastos de Flávio Bolsonaro (PL), chamado por ela de “tesouraço”.

“Leva tempo para construir, mas destruir é muito rápido”, afirmou.

Oreiro disse que o corte de R$ 300 bilhões anunciado por Flávio atingiria aposentados, saúde e educação.

A ministra Fernanda Machiaveli afirmou que a cesta básica terá imposto zero a partir de janeiro e que houve deflação de alimentos nos últimos meses.

“A gente quer mesa farta para o povo brasileiro”, disse.

Segurança e críticas a Flávio

Os participantes também defenderam, para um eventual novo mandato, dobrar o efetivo da Polícia Federal e criar o Ministério da Segurança Pública.

Padilha disse que Flávio comandou, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), o que chamou de “apagão” nos hospitais federais do Rio durante a pandemia.

O ministro também disse que trabalhadores do Hospital Cardoso Fontes relataram pagamento de “pedágio” a milicianos no estacionamento.

A ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, afirmou que os minerais críticos e as terras-raras, produtos de alta tecnologia e alvo de uma disputa geopolítica global, estão entre as grandes reservas do Brasil. Foi reforçado o discurso de soberania do país.

O tema é também ponto de atrito com Flávio. Em março, o senador discursou na CPAC, conferência de políticos conservadores nos EUA, e disse que o Brasil é a solução para que os americanos deixem de depender da China em terras-raras e minerais críticos.

Segundo a ministra, esses recursos, somados ao petróleo da margem equatorial, serão “portadores de futuro” para o país e devem criar empregos de qualidade, sobretudo para os jovens.

Eleitores e candidatos

A transmissão também orientou os eleitores sobre horários de votação por fuso, documentos aceitos e ordem de votação na urna: deputado federal, deputado estadual, 2 senadores, governador e presidente.

Os apresentadores ainda lembraram proibições no dia da eleição, como boca de urna e transporte organizado de eleitores, além de divulgar canais para denúncias de tentativas de manipulação do voto.

Participaram da transmissão:

  • Éden Valadares (secretário nacional de Comunicação do PT e integrante da coordenação da campanha de reeleição de Lula);
  • Laura Carvalho (economista e professora da USP);
  • José Luis Oreiro (economista);
  • Alexandre Padilha (ministro da Saúde);
  • Fernanda Machiaveli (ministra do Desenvolvimento Agrário desde 1º de abril de 2026, antes secretária-executiva da pasta);
  • Miriam Belchior (ministra da Casa Civil, que substituiu Rui Costa na reforma ministerial de março);
  • Márcia Lopes (ministra das Mulheres desde 5 de maio de 2025);
  • Paulo Pimenta (deputado federal e candidato do PT ao Senado pelo Rio Grande do Sul);
  • Leandro Grass (candidato do PT ao Governo do Distrito Federal)
  • Evaniza Rodrigues (assistente social, mestre em Arquitetura e Urbanismo e militante da União Nacional por Moradia Popular);
  • Décio Lima (candidato ao Senado por Santa Catarina e ex-presidente do Sebrae).

Caminhada em São Paulo

Pela manhã, Lula encerrou a agenda oficial de campanha com uma caminhada na região da avenida Paulista, ao lado de Fernando Haddad (PT), Geraldo Alckmin (PSB), Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB).

O ato, batizado de “Brasil Pronto para Mais”, foi marcado por um impasse com a Prefeitura de São Paulo. O TRE-SP autorizou a caminhada na Paulista e suspendeu um ofício da gestão municipal que impedia a realização.

Mesmo assim, a campanha transferiu o ato para a Rua Augusta. O trajeto seguiu da Paulista até a praça Roosevelt pela Consolação.

A campanha pretende realizar outro ato na avenida durante a apuração, no domingo (4.out), apesar da proibição baseada em pedido do TRE-SP.


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