CNEN confirma incidente com material radioativo no Ipen em SP

Órgão afirma que 2 operadores passaram por exame de corpo inteiro e ficaram sem consequências à saúde

A CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear) confirmou um incidente com material radioativo no Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares), em São Paulo. Segundo nota técnica do órgão, a contaminação ficou restrita às roupas externas de 2 operadores e não causou danos à saúde dos profissionais.

O caso foi registrado em 29 de maio, durante a produção de geradores de Molibdênio-99/Tecnécio-99m, utilizados na área de radiofarmácia. A roupa de um técnico do Centro de Radiofarmácia foi contaminada. A ocorrência foi identificada pelos detectores da instalação, e o operador realizou a descontaminação e o isolamento imediato da vestimenta.

Depois do procedimento, o piso próximo ao detector reteve um leve traço de contaminação. Em 1º de junho, esse resíduo atingiu o calçado de um 2º operador.

Os 2 profissionais foram submetidos ao exame de contagem de corpo inteiro, utilizado para avaliar possíveis contaminações internas. Segundo a CNEN, o procedimento constatou que a contaminação ficou limitada às roupas externas. O órgão afirmou que nenhum dos operadores sofreu consequências à saúde.

A comissão declarou ainda que, por não haver sequelas nem riscos residuais, nenhum funcionário permanece sob observação. Os envolvidos passaram por retreinamento, e o caso segue em avaliação interna para aprimorar os processos de controle e segurança.

A ocorrência foi comunicada integralmente à ANSN (Agência Nacional de Segurança Nuclear) por meio de relatório técnico.

Na nota, a CNEN afirmou que contaminações pontuais em EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), embora sejam rigidamente prevenidas, podem ser registradas em atividades desse tipo. Segundo o órgão, todo incidente leva o profissional ao monitoramento da dose acumulada e ao exame de corpo inteiro.

A comissão declarou ainda que os funcionários do Centro de Radiofarmácia costumam manter doses acumuladas em níveis significativamente abaixo dos limites estabelecidos pela legislação. Como medida preventiva, sempre que a dose de um trabalhador apresenta elevação, sua função é alterada e a atividade passa por revisão para reduzir a exposição.

O Centro de Radiofarmácia também mantém uma equipe de pesquisa com projetos como o Lu-177-PSMA-IT, em fase de testes clínicos, e estudos com moléculas marcadas com alfaemissores, como o Ac-225. Segundo a CNEN, o Ipen está entre os maiores fornecedores de radiofármacos para o SUS (Sistema Único de Saúde).