União havia solicitado bloqueio de ponte onde jovem morreu em rope jump

Responsabilidade sobre local do ocorrido é motivo de disputa entre Executivo federal e Prefeitura de Limeira

A SPU (Secretaria do Patrimônio da União), vinculada ao MGI (Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos), afirmou que já havia solicitado à Prefeitura de Limeira (SP) o bloqueio do acesso à Ponte do Esqueleto. O local foi onde a jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, 21 anos, morreu depois de ser lançada de uma altura de cerca de 40 metros em um salto de rope jump sem corda.

A estrutura fica na divisa entre Limeira e Cordeirópolis, no interior de São Paulo. A ponte pertencia à antiga RFFSA (Rede Ferroviária Federal) e foi incorporada ao patrimônio da União depois da extinção da estatal. Apesar de nunca ter sido concluída e estar desativada há anos, o local passou a ser usado como ponto turístico informal e para a prática de esportes radicais.

Segundo a SPU, o pedido de bloqueio foi feito em 2024, depois de outro acidente fatal no local, envolvendo uma ciclista. O órgão disse que, na ocasião, solicitou às prefeituras da região medidas para impedir o acesso de pessoas à ponte.

Em 2024, a ponte foi bloqueada por alguns meses. Posteriormente, a reabertura foi discutida e defendida por empresários locais em sessão na Câmara de Vereadores de Limeira”, afirmou a secretaria em nota.

A responsabilidade pelo local virou motivo de disputa entre o Executivo federal e a Prefeitura de Limeira. Em nota publicada depois da morte de Maria Eduarda, a administração municipal afirmou que processaria o governo federal e órgãos responsáveis pela área.

A prefeitura declarou que a ponte pertence à União e que, por isso, caberia ao governo federal adotar providências estruturais e de segurança no local. O município também disse que já havia alertado sobre os riscos da área.

Maria Eduarda morreu no domingo (8.jun.2025). Segundo a Polícia Civil, a empresa envolvida no salto não tinha autorização da prefeitura para realizar atividades no local. Seis pessoas foram presas depois do acidente.

Eis a íntegra da nota a SPU/MGI:

“A Secretaria de Patrimônio da União (SPU), do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), lamenta a morte trágica da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas durante atividade esportiva não autorizada na ponte do Esqueleto. A SPU se solidariza com a família e amigos da Maria Eduarda.

A ponte do Esqueleto pertencia a trecho nunca implantado da antiga Rede Ferroviária Federal (RFFSA), no interior de propriedades particulares. A SPU nunca autorizou qualquer atividade esportiva ou de outra natureza na ponte do Esqueleto.

O processo de incorporação da ponte ao patrimônio da SPU só foi autorizado em 2026. Mesmo assim, desde 2024, em diferentes momentos a SPU pediu apoio às prefeituras locais para bloquear o acesso à referida ponte. Em 2024, em função dessa parceria, a ponte foi bloqueada por alguns meses. Posteriormente, a reabertura foi discutida e defendida por empresários locais em sessão na Câmara de Vereadores de Limeira.

Entendemos que os poderes públicos de todos os níveis precisam, imediatamente, juntar esforços para evitar de forma definitiva o acesso à ponte do Esqueleto e coibir atividades ilegais. E, na sequência, decidir o futuro da ponte do Esqueleto de forma conjunta”.