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Domingo, Julho 5, 2026
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Da lona à esperança: audiência histórica fortalece luta pelo Cinturão Verde em Campo Grande

Audiência pública realizada no Acampamento Zumbi dos Palmares (MPL). Foto: Pedro Roque.

O Acampamento Zumbi dos Palmares – MPL foi palco, neste sábado (4), de uma audiência pública considerada um marco na luta pela reforma agrária em Campo Grande. Proposta pelo vereador Landmark Rios, a discussão reuniu movimentos sociais, agricultores, lideranças e autoridades, para debater a implantação do Cinturão Verde como instrumento para ampliar o acesso à terra, fortalecer a produção de alimentos e garantir dignidade às famílias acampadas.

A audiência deu voz às famílias que há anos aguardam um lote para produzir e viver com dignidade. Durante o encontro, trabalhadores rurais defendem que o avanço do Cinturão Verde passa pelo assentamento de novas famílias e pelo fortalecimento da reforma agrária.

Acampado há seis anos no Acampamento Zumbi dos Palmares, Gelson Rodrigues Vieira afirmou que o maior sonho das famílias é conquistar um pedaço de terra.

“Nosso objetivo é a terra. Meu maior objetivo é poder plantar, colher. Todo insumo praticamente que tem de alimento na Capital vem de fora. Eu acredito que mais de 70% vem de fora. Com esse tanto de terra que nós temos aqui em volta, por que nós não podemos plantar para servir a nossa Capital?”, questionou.

Gelson também ressaltou a importância de o acampamento receber uma audiência pública.

“Assim nós vamos ser vistos pelo Governo Federal, Governo Estadual e pelo Município. Estão dando a oportunidade de mostrar a nossa necessidade. Nós precisamos de um pedaço de terra para produzir.”

Gelson Rodrigues Vieira relata o sonho das famílias de conquistar um pedaço de terra. Foto: Pedro Roque.

Da invisibilidade ao direito à terra

Durante a audiência, Landmark Rios destacou que discutir o Cinturão Verde também é dar visibilidade às centenas de famílias que vivem em acampamentos na Capital.

“Estamos dando visibilidade aos nossos acampamentos dentro de Campo Grande. Não é apenas um. Temos o MST, representado por Douglas, a UGT, representada por Sandra Maria, o MCLRA, representado por Dona Solange, e tantos outros movimentos que vivem na invisibilidade.”

Entre os participantes esteve Dona Diva Ferreira Ramalho, do Movimento FETTAR e moradora do Acampamento Santa Inês, representando as famílias que acompanham a luta pela reforma agrária na região.

A deputada estadual Gleice Jane destacou a importância de levar o debate até o território onde vivem as famílias acampadas.

“A gente tem os espaços institucionalizados, que é a casa do povo, mas nem sempre a gente consegue ter acesso a esses espaços, às vezes pela distância e por várias situações. E o trabalho que o vereador Landmark faz de trazer aqui uma audiência pública para a gente discutir o Cinturão Verde é muito gratificante”, afirmou.

Gleice Jane durante a audiência pública. Foto: Pedro Roque.

A coordenadora do MCLRA, Solange Clementino de Sá, explicou que há áreas já identificadas para assentamentos, mas que o processo depende de recursos federais e da participação do Município.

“Cada movimento tem suas particularidades e suas áreas já apontadas e vistoriadas, mas precisamos do processo inteiro. Precisamos de recursos do Governo Federal e também do Município para fazer esse debate avançar.”

Solange Clementino de Sá, coordenadora do MCLRA, durante a audiência pública. Foto: Pedro Roque.

Representando a deputada federal Camila Jara, Jaqueline Barretos citou o exemplo da China, que implantou um modelo semelhante de Cinturão Verde há cerca de 40 anos.

“Se um país de dimensões continentais conseguiu executar o Cinturão Verde, por que Campo Grande não pode fazer a mesma coisa?”

Para o representante do Movimento Popular de Luta (MPL), Beto, o projeto também fortalece a luta pela reforma agrária.

“A necessidade é produzir alimento saudável próximo das cidades. Essa é a proposta do Cinturão Verde. Também precisamos colocar na sociedade o debate sobre assentar novas famílias e investir na agricultura familiar.”

Beto, do Movimento Popular de Luta (MPL), durante a audiência pública. Foto: Pedro Roque.

Um dos relatos mais emocionantes foi o de Maria Helena Escobar, de 59 anos, moradora do acampamento há nove anos.

“Não é fácil viver embaixo de uma lona preta. Quando é quente, é muito quente; quando faz frio, é muito frio. Tem animais peçonhentos. Não é fácil. A gente está lutando para ganhar um pedacinho de chão.”

Jaqueline Barretos e Maria Helena Escobar durante a audiência pública no Acampamento Zumbi dos Palmares. Foto: Pedro Roque.

Ao final, os movimentos defendem que o Cinturão Verde só será realidade com o avanço da reforma agrária e a criação de novos assentamentos, reforçando a pressão sobre os governos para garantir terra a quem quer produzir alimentos e abastecer Campo Grande.


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