
A chegada da primeira frente fria mais intensa de 2026 em Mato Grosso do Sul pode trazer uma redução temporária na transmissão da chikungunya nos municípios que enfrentam aumento de casos da doença. A previsão de queda brusca nas temperaturas a partir deste fim de semana tende a diminuir a atividade do mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão do vírus.
Apesar da expectativa de desaceleração, especialistas alertam que o frio não elimina o vetor e nem interrompe completamente a circulação da doença.
Segundo a infectologista Andyane Tetila, presidente da Sociedade Sul-Mato-Grossense de Infectologia e médica no HU-UFGD, o impacto das baixas temperaturas costuma ser parcial e não ocorre de forma imediata.
De acordo com a médica, o frio interfere diretamente em etapas importantes do ciclo de vida do mosquito, reduzindo a velocidade de reprodução, diminuindo a frequência das picadas e retardando o desenvolvimento das larvas.
Ela explica ainda que temperaturas mais baixas dificultam a replicação do vírus dentro do mosquito, o que pode contribuir para uma redução temporária da transmissão.
“Tudo isso pode contribuir para desacelerar a transmissão. Por outro lado, isso não significa que os casos parem de ocorrer”, afirmou a infectologista.
Andyane Tetila ressalta que, em cenários de epidemia já instalada, como ocorre atualmente em diversas cidades do Estado, ainda existem fatores que mantêm a circulação da doença ativa, entre eles a grande infestação prévia do mosquito, o elevado número de pessoas infectadas e a presença de criadouros dentro das residências.
Outro ponto destacado pela especialista é que o frio não elimina os locais com água parada, ambiente ideal para a reprodução do Aedes aegypti.
“Existe sim uma expectativa de desaceleração dos casos durante períodos mais frios, especialmente se houver queda sustentada da temperatura. Porém, isso costuma funcionar mais como uma ‘freada’ da transmissão do que como um bloqueio da epidemia”, explicou.
Mesmo com a chegada do frio, as autoridades de saúde reforçam a necessidade de manter os cuidados preventivos, eliminando recipientes que acumulam água e combatendo possíveis criadouros do mosquito transmissor.





























