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Segunda-feira, Julho 20, 2026
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Inglaterra leva 3ª lugar e Mbappé vira maior artilheiro das Copas


O penúltimo jogo da Copa do Mundo foi daqueles
inacreditáveis. Dez gols – um deles histórico e inúmeras oportunidades. Uma
goleada que virou pandemônio.

O duelo em Miami (Estados Unidos) proporcionou
entretenimento, principalmente na etapa final. A Inglaterra levou a melhor,
venceu a França por 6 a 4 e garantiu lugar no pódio, naquela que foi a disputa
de terceiro lugar com mais gols na história dos Mundiais, superando o triunfo
francês sobre a Alemanha na Copa de 1958, na Suécia.

Talvez o maior ganhador do dia, ao menos no individual,
esteja do lado francês. O atacante Kylian Mbappé se isolou na artilharia desta
Copa, com dez gols, e ultrapassou Lionel Messi como maior goleador da história
do evento.

Com as duas bolas na rede deste sábado (18), ele chegou a
22 – uma a mais que o argentino – em três participações no mundial. Messi terá
a final de domingo (19), contra a Espanha, em Nova Jersey (Estados Unidos), a
partir das 16h (horário de Brasília), para tentar reassumir o posto.

Os ingleses tomaram um susto enorme. Abriram 4 a 0 no
primeiro tempo, criando a expectativa de pelo menos repetirem a maior goleada
dos confrontos de terceiro lugar, que foi o triunfo da Suécia sobre a Bulgária
em 1994, também nos Estados Unidos. A etapa final, porém, teve incríveis seis
gols e um quase empate francês, que deixou o torcedor em Miami de pé.

No fim, o 6 a 4 superou os nove gols do 6 a 3 aplicado
justamente pela França em cima da Alemanha na Copa de 1958.

Mudou tudo

A disputa do terceiro lugar costuma ser uma partida com
mais cara de amistoso do que propriamente uma decisão. Não à toa, as duas
seleções foram a campo bem modificadas em relação às semifinais, ambas com sete
mudanças na equipe.

Na França, a única alteração por questões físicas foi na
zaga, com Maxence Lacroix no lugar do contundido Willian Saliba. Dos titulares
na derrota para a Espanha, o técnico Didier Deschamps mandou a campo apenas o
goleiro Mike Maignan, o volante Adrien Rabiot, o meia Michael Olise e Mbappé,
na briga pela artilharia.

Do lado inglês, o zagueiro Marc Guehi, o lateral-direito
Djed Spence, o volante Declan Rice e o meia Morgan Rogers foram os únicos
titulares mantidos por Thomas Tuchel na comparação com a formação que perdeu da
Argentina. O zagueiro Jarell Quansah, que cumpriu a suspensão de dois jogos
pela expulsão contra o México, nas oitavas de final, retornou ao time, no lugar
de John Stones.

Passeio inglês

Se a ideia era dar oportunidade a quem não teve tantos
minutos na Copa, a Inglaterra claramente aproveitou melhor a proposta e não
teve dificuldade para construir a goleada ainda no primeiro tempo. Demonstrando
muito mais interesse pelo jogo que a França, os ingleses fizeram o primeiro aos
dois minutos. O atacante Desiré Doué errou passe fácil pelo meio, Rice conduziu
a bola sem ser ameaçado e chutou da entra da área, no canto esquerdo de
Maignan.

Os Bleus (apelido da seleção francesa) sinalizaram uma
reação aos dez minutos, em finalização do meia Rayan Cherki, na sobra de um
desarme de Guehi em Mbappé, mas Dean Henderson, substituto de Jordan Pickford,
defendeu. A resposta veio no lance seguinte, em gol do atacante Bukayo Saka,
anulado por impedimento.

A superioridade inglesa se confirmou aos 17 minutos.
Depois de cobrança de escanteio de Rice pela esquerda, Ezri Konsa, de cabeça,
acertou outra vez o canto esquerdo do goleiro francês. A bola ainda triscou na
trave antes de balançar as redes.

Mbappé até tentava alguma coisa do lado da França, mas
foi a Inglaterra que marcou de novo. Dois minutos depois, Marcus Rashford foi
lançado em contra-ataque pela esquerda. O atacante invadiu a área com liberdade
e chutou em cima de Maignan. O rebote ficou com Saka, mas a batida explodiu em
Lacroix. Na sobra, Rashford conseguiu tirar do goleiro dos Bleus e rolar para
Saka, enfim, mandar para o gol.

E o camisa 7 inglês balançaria as redes mais uma vez. Aos
45, Saka recebeu do meia Eberechi Eze às costas da zaga e chutou no canto
esquerdo de Maignan, transformando o placar em goleada.

Para a história

O atropelo fez com que Deschamps voltasse do intervalo
com quatro alterações. Uma delas foi a entrada de Dayot Upamecano no lugar de
Ibrahima Konate. E foi a partir de um desarme do zagueiro, na intermediária
ofensiva, logo aos dois minutos, que Olise aproveitou e lançou Mbappé nas
costas de Konsa. O camisa 10 chutou cruzado para recolocar a França no jogo.

Coube a outra novidade francesa para o segundo tempo
diminuir mais um pouco a diferença no placar. Seis minutos depois, Mbappé
lançou o atacante Bradley Barcola, que surpreendeu a marcação de Quansah e
finalizou para vencer Henderson.

Em choque, a Inglaterra se viu acuada em meio à pressão
dos Bleus. Olise, Upamecano e o atacante Ousmané Dembélé, outro titular que
entrou na volta do intervalo, tiveram chances. E foi Dembélé que iniciou a
jogada do terceiro. Aos 20 minutos, ele avançou pela esquerda e tocou para
Olise, que deixou a bola passar e chegar em Mbappé. O camisa 10 tabelou com o
companheiro e mandou para as redes. Gol dez nesta Copa e 22 na história dos
Mundiais.

Aos 29, Olise pecou na finalização dentro da área, após
jogada do lateral Malo Gusto pela esquerda. Aos 36, ele voltou a desperdiçar
grande chance, desta vez por exagerar no lance individual depois de boa trama
com Dembélé e Mbappé. Isso porque, um minuto antes, foi o meia Jude Bellingham,
que tinha acabado de entrar, que exagerou no preciosismo ao demorar a chutar e
finalizar em cima de Maignan.

Como se fosse uma punição a Olise pelas oportunidades
perdidas, aos 39 minutos, Spence foi derrubado por Gusto na área. Saka cobrou a
penalidade e marcou o terceiro dele na partida.

Alívio inglês? Que nada. Aos 50, Dembélé recebeu de
Upamecano pela esquerda, invadiu a área, levou para a perna esquerda e fez o
quarto da França. O pandemônio estava reinstalado para os dois minutos finais
dos acréscimos. Até que, no último lance, Bellingham resolveu a vida da
Inglaterra com um golaço. O meia driblou Lacroix, enganou Upamecano e chutou
entre as pernas do zagueiro para definir o jogo em Miami.