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Terça-feira, Setembro 8, 2026
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Mercado financeiro reduz previsão da inflação para 5% este ano


A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional
de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência oficial da inflação no país,
passou de 5,01% para 5% este ano. A estimativa está no Boletim Focus desta
terça-feira (8), pesquisa divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC) com a
expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores
econômicos.

A previsão está acima do intervalo da meta que deve ser
perseguida pelo BC. Estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta
é 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual. Ou seja, o limite
inferior é 1,5% e o superior, 4,5%.

No mês de julho, os alimentos ficaram mais baratos e
contribuíram para que a inflação oficial perdesse força pelo quarto mês seguido
e fechar em 0,07%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE). O resultado fez o IPCA acumular 4,44% em 12 meses, trazendo
o indicador de volta para a meta do governo.

A inflação de agosto será divulgada na próxima
sexta-feira (11) pelo IBGE.

Para 2027, a projeção da inflação variou de 4,28% para
4,29%. Para 2028 e 2029, as estimativas são de 3,8% e 3,5%, respectivamente.

Taxa Selic

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa
como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida atualmente
em 14% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. Na última
reunião, em agosto, o colegiado reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, pela
quarta vez seguida.

De junho de 2025 a março deste ano, a Selic ficou em 15%
ao ano, o maior nível em quase 20 anos. O Copom voltou a cortar os juros na
reunião de março, num cenário de queda da inflação. No entanto, a guerra no
Oriente Médio, que se refletiu no aumento dos preços de combustíveis e de
alimentos, dificulta a queda da taxa.

O próximo encontro do Copom para definir a Selic será nos
dias 15 e 16 de setembro.

Nesta edição do Focus, a estimativa dos analistas de mercado
é que a taxa básica chegue a 13,75% ao ano até o fim de 2026. Para 2027 e 2028,
a previsão é que a Selic seja reduzida para 12% ao ano e 10,5% ao ano,
respectivamente. Em 2029, a taxa deve ficar em 10% ao ano.

Quando o Copom aumenta a Selic, a finalidade é conter a
demanda aquecida, o que causa reflexos nos preços, porque os juros mais altos
encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também
podem dificultar a expansão da economia.

Os bancos ainda consideram outros fatores na hora de
definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro
e despesas administrativas.

Quando a Taxa Selic é reduzida, a tendência é que o
crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, diminuindo o
controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

PIB e câmbio

Nesta edição do boletim do Banco Central, a estimativa
das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira este ano
saiu de 1,92% para 1,93%. Para 2027, a projeção para o Produto Interno Bruto
(PIB, a soma dos bens e serviços produzidos no país) permanece em 1,5%. Para
2028 e 2029, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 1,96% e 2%,
respectivamente.

No segundo trimestre de 2026, a economia do país cresceu
​0,5% na comparação com o primeiro trimestre. No acumulado de 12 meses, houve
expansão de 1,9%, de acordo com o IBGE.

Em 2025, a economia brasileira cresceu 2,3%, com expansão
em todos os setores e destaque para a agropecuária. O resultado representa o
quinto ano seguido de crescimento.

No Focus desta semana, a previsão da cotação do dólar
está em R$ 5,20 para o final deste ano. No fim de 2027, estima-se que a moeda
norte-americana fique em R$ 5,30.