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Quarta-feira, Outubro 21, 2026
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Polícia suspeita que Comando Vermelho ordenou sequestro e morte de traficante na fronteira

Sergio González Giménez, apontado como organizador do ataque que terminou com casal executado (Foto: Reprodução)

Uma dívida elevada relacionada à venda de drogas para
integrantes do CV (Comando Vermelho) teria motivado o sequestro e a execução de
Marcelo Ruan Lázaro Ortiz, de 26 anos, encontrado morto nesta terça-feira (20),
em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia separada de Ponta Porã por uma rua.
Fontes policiais apontam que a facção teria ordenado o assassinato e enviado
integrantes do Rio de Janeiro para cumprir a determinação.

A investigação avançou nesta quarta-feira (21), com a
identificação do paraguaio Sergio González Giménez, de 30 anos, apontado como
possível organizador do ataque que também terminou com a morte da brasileira Carolina
Benites Arce, de 27 anos, companheira de Marcelo. Segundo informações
divulgadas pelo jornal paraguaio ABC Color, o suspeito teria oferecido abrigo
aos executores e participado da preparação da ação criminosa.

A hipótese de envolvimento do Comando Vermelho chama a
atenção porque Marcelo seria ligado ao PCC (Primeiro Comando da Capital),
facção rival do grupo carioca. Sergio, apontado como responsável pela
organização do ataque, também seria vinculado ao PCC.

A informação contrasta com a guerra travada pelas duas
organizações criminosas em diferentes regiões do Brasil e levanta dúvidas sobre
os interesses envolvidos na execução, já que seria fato raro um membro do PCC
fornecer drogas aos rivais do CV.

Conforme informações atribuídas a fontes policiais,
Marcelo teria acumulado uma dívida de valor elevado em negociações de drogas
com integrantes do Comando Vermelho. Diante da falta de pagamento, a facção
teria determinado sua execução. A suspeita é de que os responsáveis tenham sido
enviados do Rio de Janeiro especificamente para o ataque na fronteira.

Apesar dos indícios, a motivação financeira, o envolvimento
das facções e a participação dos criminosos vindos do Rio são tratados como
hipóteses investigativas. Não há confirmação oficial sobre o valor da suposta
dívida nem sobre a identidade de quem teria determinado a execução.

Suspeito de
organizar ataque

A identificação de Sergio González Giménez ocorreu
durante as investigações sobre as mortes. Segundo o ABC Color, policiais
paraguaios chegaram a uma residência que teria servido de esconderijo para os
integrantes do grupo responsável pelo crime.

No imóvel estava Aline Noemí Ramírez Faría, paraguaia de
20 anos, que informou aos investigadores que a casa pertence ao companheiro,
Sergio. Ele teria fugido pouco antes da chegada dos policiais.

A suspeita é de que Sergio tenha abrigado os executores
durante o fim de semana e levado os criminosos até a residência de Marcelo e
Carolina, no Bairro Obrero. Imagens de câmeras de segurança teriam registrado
elementos que reforçam a participação dele na organização do ataque.

A Polícia Nacional do Paraguai procura Sergio para
esclarecer seu envolvimento. Até o momento, a investigação não confirmou se ele
teria agido por determinação de integrantes do Comando Vermelho, apesar da
suposta ligação com o PCC.

Três detidos

Outra informação divulgada nesta quarta-feira altera a
interpretação inicial das prisões realizadas na tarde de ontem, durante
operações policiais em Pedro Juan Caballero.

Os três brasileiros detidos, entre eles um adolescente de
17 anos, não seriam integrantes do grupo que invadiu a residência e executou o
casal. Segundo a investigação, eles fariam parte da organização comandada por
Marcelo e teriam ligação com o PCC.

Os adultos foram identificados como Diogo Silva
Alexandre, de 20 anos, e Pedro Paulo Leite de Jesús, de 25 anos. O primeiro
possui ordem de prisão no Brasil por associação criminosa e tráfico de drogas.
O segundo tem antecedentes por furto e lesão corporal. Os investigadores
apuraram ainda que Marcelo seria responsável pelo aluguel da residência onde os
três brasileiros estavam morando.

Execução de
Carolina

O crime começou na madrugada de segunda-feira (19),
quando homens armados invadiram a residência onde Marcelo vivia com Carolina,
na Rua Valois Rivarola, no Bairro Obrero.

Conforme as informações policiais, o alvo principal seria
Marcelo, que foi retirado à força do imóvel e levado pelos criminosos. Carolina
teria sido executada porque reconheceu um dos participantes da ação (veja o
vídeo acima).

A suspeita é de que o reconhecimento tenha levado os
invasores a matar a mulher para impedir que ela identificasse o integrante do
grupo.

Carolina foi atingida por disparos de fuzil calibre 7,62 e
morreu no local. Na residência também estavam a filha dela, de 6 anos, e
Geovanne Matheus Rodrigues Martínez, de 28 anos, apontado como secretário de
Marcelo. Os dois sobreviveram.

Geovanne foi levado para prestar esclarecimentos à
Polícia Nacional do Paraguai. Os investigadores pretendem descobrir por que ele
foi poupado pelos criminosos.

Torturado

Marcelo permaneceu desaparecido desde a invasão da
residência até a manhã desta terça-feira, quando seu corpo foi encontrado na
região da Colônia Potrero Ortiz, nas proximidades da linha internacional com o
Brasil.

O homem apresentava sinais de violência e estava com as
mãos amarradas. Conforme informações policiais divulgadas pela imprensa
paraguaia, os responsáveis teriam submetido Marcelo a sessões de tortura antes
de matá-lo com golpes na cabeça e no rosto. Um dos olhos estava colado.

Uma caminhonete Toyota Fortuner, apontada como um dos veículos
utilizados no sequestro, foi encontrada incendiada numa estrada de terra entre
Pedro Juan Caballero e Zanja Pytá. A suspeita é de que os criminosos tenham
destruído o veículo para dificultar a identificação dos participantes da ação. A
outra Toyota ainda não foi encontrada.

Marcelo também utilizava documentos paraguaios com o nome
Marcelo Juan Ortiz Moura. No Brasil, era considerado foragido por tráfico de
drogas e investigado como possível chefe de um grupo de pistoleiros. As
autoridades brasileiras o relacionavam a pelo menos dez homicídios registrados
nos últimos meses em Ponta Porã.