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Quarta-feira, Outubro 21, 2026
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Sucessivas entregas de drogas por drones na PED motivou operação do Gaeco contra policiais penais

Policiais do Gaeco na PED durante operação desta quarta-feira (Foto: Divulgação)

A Operação Colete de Troia, deflagrada nesta quarta-feira
(21) pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado),
ocorreu depois de sucessivos episódios de entrada de materiais ilícitos por
drones na PED (Penitenciária Estadual de Dourados). O Campo Grande News apurou
que as investigações também se concentram nas diferenças de atuação entre
equipes de policiais penais, na falta de protocolos para impedir as entregas e
na suspeita de conivência de servidores com o esquema criminoso.

Entre junho e outubro deste ano, drones sobrevoaram
repetidamente a penitenciária durante a madrugada para entregar malotes
diretamente nas celas. Em algumas ocasiões, os equipamentos fizeram mais de dez
viagens em poucas horas, sem que os policiais conseguissem impedir a entrada
dos objetos.

As entregas envolviam drogas, aparelhos celulares, chips
e outros materiais proibidos. Parte dos pacotes foi apreendida, mas outros
chegaram aos presos sem que seu conteúdo fosse recuperado.

O Campo Grande News apurou que um dos principais pontos
de atenção da investigação é a diferença de resultados entre os plantões.
Equipes comandadas por determinados policiais penais apresentam registros de
apreensões e intervenções, enquanto ocorrências atendidas pelos plantões de
outros servidores frequentemente terminam sem a recuperação dos materiais.

Nesses casos, a justificativa apresentada é a falta de
pessoal, armamento e equipamentos de proteção adequados para agir durante a
madrugada. Os policiais relatam que as condições de segurança impedem
intervenções imediatas, mesmo quando os drones são identificados pelo sistema
de monitoramento.

A investigação busca esclarecer se essas diferenças
decorrem efetivamente das limitações operacionais ou se existem omissões
deliberadas que permitiram a entrada dos produtos. Outro ponto sob apuração é a
ausência de um procedimento uniforme para enfrentar as entregas clandestinas.

Grupamento
especializado

A atuação do Cope (Comando de Operações Penitenciárias)
também levanta questionamentos. O Campo Grande News apurou que o grupamento
especializado mantém uma base ao lado da penitenciária, mas não recebe
autorização para intervir nesse tipo de ocorrência.

Há relatos de que os integrantes do Cope permanecem
durante a noite sem ser acionados, mesmo diante das sucessivas invasões do
espaço aéreo da unidade prisional.

A falta de mobilização do grupamento, apesar da
proximidade com o presídio, é apontada como uma das situações que precisam ser
esclarecidas na apuração sobre possível conivência de agentes públicos. Ainda
não há confirmação de que essa omissão tenha sido determinada para beneficiar o
esquema criminoso.

Entregas
continuaram até a operação

A movimentação dos drones não se restringiu aos meses
anteriores à investigação. Segundo informações apuradas pelo Campo Grande News,
no domingo (18), três dias antes da operação, houve a entrega de 11 malotes por
drone na penitenciária.

Um dos policiais penais investigados estava de serviço
naquela ocasião, embora não fosse seu dia regular de plantão. A presença do
servidor fora da escala habitual é uma das circunstâncias que despertam
suspeitas.

Durante o cumprimento dos mandados nesta quarta-feira, os
investigadores apreenderam o telefone celular desse policial e R$ 18 mil em
espécie. A origem do dinheiro e sua eventual relação com o esquema são investigadas.

O material recolhido poderá ajudar a identificar
contatos, movimentações financeiras e possíveis vínculos entre servidores,
presos e pessoas responsáveis pelo envio dos pacotes.

Esquema é
investigado desde 2024

Deflagrada pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso
do Sul), a Operação Colete de Troia tem como objetivo apurar a participação de
policiais penais na entrada de drogas, celulares e outros materiais proibidos
na Penitenciária Estadual de Dourados.

As investigações começaram em meados de 2024 e apontam a
existência de uma organização criminosa formada por servidores públicos, presos
e pessoas de fora da unidade.

Conforme o Gaeco, policiais penais são suspeitos de
utilizar suas funções para facilitar a entrada de produtos ilegais,
posteriormente distribuídos e comercializados dentro da penitenciária. O
esquema também teria utilizado drones para transportar as encomendas até as
celas.

Nesta quarta-feira, foram cumpridos dez mandados de busca
e apreensão em Dourados, Ivinhema, Rio Brilhante e Paranavaí (PR). Os mandados
foram cumpridos inclusive na PED. Uma advogada também foi alvo de mandado de
busca. Os nomes dos investigados não foram divulgados.

A operação pretende esclarecer a participação individual
dos investigados, a possível existência de pagamentos para facilitar as
entregas e a responsabilidade de servidores pelas falhas de segurança
identificadas na unidade.

Agepen

Em nota, a Agepen (Agência Estadual de Administração do
Sistema Penitenciário) informou que, junto com a Polícia Penal de Mato Grosso
do Sul, atua de forma integrada com o Gaeco e demais órgãos de segurança no enfrentamento
à corrupção e à entrada de materiais ilícitos no sistema prisional.

“A instituição mantém ações de inteligência, fiscalização
e apuração de possíveis irregularidades, com a adoção das medidas
administrativas e legais cabíveis diante de fatos comprovados”, diz.

A agência informou também que a Corregedoria-Geral acompanha
o cumprimento de mandados de busca e apreensão em residências. “Paralelamente,
a Polícia Penal realiza vistorias nas celas da Penitenciária Estadual de
Dourados, com equipes da Gerência de Inteligência do Sistema Penitenciário e do
Cope (Comando de Operações Penitenciárias), em apoio às ações relacionadas à
operação”.

Por fim, a Agepen ressalta que eventuais condutas
individuais sob investigação não representam o trabalho da Polícia Penal como
um todo, “desenvolvido diariamente por servidores comprometidos com a
legalidade, a disciplina e a segurança pública”. Diz ainda que não compactua
com desvios de conduta e reafirma que situações dessa natureza “devem ser
rigorosamente apuradas, com a devida responsabilização dos envolvidos,
assegurado o devido processo legal”.