
Jogador da seleção provoca influenciador em disputa que envolve senador Flávio Bolsonaro e imóvel em Angra
O atacante Richarlison, da seleção brasileira de futebol e do Tottenham, publicou no Instagram, nesta 6ª feira (23.out.2026), uma imagem gerada por inteligência artificial em que o rosto do influenciador Pablo Marçal aparece no corpo de um burro. Na montagem, Marçal veste terno e aparece com um broche de campanha e uma bandeira ao fundo.
Na legenda, o jogador escreveu: “Quando se sentir excluído, lembre-se dele”.
A publicação foi feita depois de Marçal criticar publicamente o atacante. O influenciador disse sentir vergonha de Richarlison, afirmou que ele “mal sabe jogar bola” e declarou que o jogador foi enganado ao pagar dinheiro a posseiros e advogados por um terreno pertencente à União.

Marçal também afirmou que o atacante desistiu de uma ação no STJ (Superior Tribunal de Justiça) para evitar o pagamento de custas processuais e honorários sucumbenciais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou o caso na mesma data e afirmou que pediu à Polícia Federal que investigasse a situação. Em vídeo publicado nas redes sociais, Lula questionou como Richarlison poderia ter perdido a propriedade depois de investir cerca de R$ 10 milhões.
ENTENDA
A controvérsia teve início durante a pandemia da covid-19, em 2020 e 2021, quando Richarlison adquiriu o imóvel em sociedade com Renato Velasco e Alencar da Silveira Júnior, presidente do América-MG. Segundo o jogador, que investiu cerca de R$ 10 milhões no local, Flávio chegou a visitar a mansão e fez ofertas de compra, mas todas foram recusadas. Em janeiro de 2021, o senador retornou à propriedade, desta vez acompanhado de Willer Tomaz.
A reviravolta ocorreu em maio de 2022, quando a esposa do empresário do atleta foi retirada da casa por um oficial de Justiça. A ordem de reintegração de posse atendeu a um pedido da M Locadora, representada pelo ex-ministro Eugênio Aragão, que alegava ter a posse do registro imobiliário desde 1986. Paralelamente, Willer Tomaz utilizou sua empresa, a WT Administração, para quitar R$ 2 milhões em pendências fiscais da M Locadora por meio de um contrato de sub-rogação.
Com a garantia da posse em juízo, Tomaz regularizou a área na Secretaria do Patrimônio da União e transferiu o terreno para sua empresa. Ele alega ter investido R$ 5 milhões na operação e classifica os antigos ocupantes como “invasores”.
Para tentar reverter a decisão, os advogados de Richarlison pediram a inclusão de Flávio Bolsonaro como testemunha, visando comprovar que o imóvel não estava abandonado quando foi visitado pelo congressista. No entanto, o Superior Tribunal de Justiça manteve a posse com a empresa de Tomaz em 2025.
O senador afirma não ter relação com o imóvel nem com a ação judicial, ressaltando que foi arrolado apenas como testemunha. O caso voltou a ganhar força nas redes sociais em outubro de 2026, depois de Richarlison comentar “e a minha ilha?“ em uma publicação de Flávio no Instagram.
Posteriormente, o atleta divulgou um vídeo cobrando investigações da Polícia Federal, afirmando que a Justiça falhou. O jogador também disse que o senador e o advogado tomaram o imóvel “na mão grande” sem desembolsar o valor da compra. Richarlison prometeu doar parte do dinheiro ao hospital de sua cidade natal, Nova Venécia (ES), caso consiga reaver o montante investido.



























