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Quinta-feira, Setembro 17, 2026
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Tenente da PM que assassinou colega de farda em quartel matou estudante de 21 anos em SP, em 2022


Preso em flagrante por matar um colega de farda nas
dependências do 4º Batalhão da Polícia Militar em Ponta Porã, o tenente Carlos
Eduardo da Silva Filho, de 27 anos, acumula pelo menos outras duas mortes em
sua carreira profissional.

Uma foi em 9 de outubro de 2025, em Mundo Novo, onde o
oficial estava lotado, e ocorreu durante abordagem a um suspeito armado.

A outra aconteceu em 11 de abril de 2022 em São Paulo (SP)
e vitimou uma inocente: a estudante Ingrid Reis dos Santos, de 21 anos, que
passava pela rua no momento em que o policial reagiu a um assalto e foi
atingida com um tiro no peito. O assaltante foi baleado nas nádegas e uma amiga
de Ingrid também foi ferida, mas sobreviveu.

O Campo Grande News apurou que Carlos Eduardo da Silva
Filho foi aprovado no concurso público para oficiais, aberto pela Polícia
Militar de Mato Grosso do Sul em setembro de 2022. O resultado definitivo e a
homologação do concurso foram publicados em outubro de 2023. Carlos obteve o 7º
lugar na classificação geral.

Como já possuía o curso de formação de oficiais em São
Paulo, seu ingresso na PMMS ocorreu logo após a posse. Antes de chegar ao 4º Batalhão
da PM em Ponta Porã, ele passou por Eldorado, Mundo Novo e Amambai.

Morte em São Paulo

Lotado na época em Registro, cidade do interior paulista,
Carlos Eduardo da Silva Filho estava na Avenida Rio Branco, na região da Santa
Efigência, na Capital, quando Daniel Ventura de Lima, de 19 anos, tentou roubar
sua moto, segundo a versão do tenente. O PM contou que estava em São Paulo para
encontrar a namorada.

Vídeo divulgado na época pela TV Globo mostrou o momento
em que o tenente reagiu ao assalto e disparou 3 tiros na direção do suspeito. Um
dos tiros acertou Daniel nas nádegas. Os outros disparos atingiram Ingrid no peito
e a amiga dela, de 19 anos, na barriga.

As duas seguiam pela calçada após Ingrid deixar o bar de
propriedade do seu pai, a poucos metros do local. Ela foi ao estabelecimento do
pai pegar uma chave e seguia para a faculdade. A estudante morreu no ato e a amiga
foi socorrida e sobreviveu.

Carlos Eduardo da Silva Filho foi preso e autuado em
flagrante por homicídio culposo no DHPP (Departamento Estadual de Homicídios e
de Proteção à Pessoa). O delegado arbitrou fiança de R$ 10 mil. O tenente recolheu
o valor e foi solto para responder ao processo em liberdade.

A estudante Ingrid Reis dos Santos, morta por tiro disparado pelo tenente, em SP, em 2022 (Foto: Reprodução)

Morte em Mundo
Novo

O tenente Carlos Eduardo da Silva Filho também foi
investigado pela morte de Jucimar Ferreira, atingido por 4 tiros durante uma
abordagem em Mundo Novo. O caso ocorreu em 9 de outubro de 2025, na zona rural
do município, após uma perseguição. O inquérito, porém, acabou arquivado após o
MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) concluir que o tenente agiu em
legítima defesa.

Segundo os autos, a equipe procurava Jucimar após receber
informações de que ele estaria armado. Policiais ouvidos no inquérito disseram
que, ao ser localizado em uma motocicleta, ele tentou fugir e foi acompanhado
pela viatura. Depois de parar, teria descido da moto, virado em direção aos
militares e feito menção de sacar uma arma da cintura. Carlos Eduardo, que
estava mais próximo, efetuou os disparos.

O laudo necroscópico apontou que Jucimar foi atingido por
4 disparos, todos pela frente, e morreu em decorrência de traumatismo
abdominal. A perícia também constatou que a pistola Glock 9 milímetros
atribuída a ele estava em condições de funcionamento. Para o Ministério
Público, esses elementos, somados aos depoimentos dos policiais, sustentam a
versão de que havia uma ameaça iminente contra a equipe.

Carlos Eduardo declarou que atirou quando Jucimar tentou
sacar a arma. Conforme seu depoimento, depois que o homem caiu, ele fez o
desarme, constatou que ainda havia sinais vitais e decidiu levá-lo ao hospital
na própria viatura, diante da dificuldade de acesso ao local. Jucimar não
resistiu.

O MPMS entendeu que os tiros foram disparados para repelir
uma “injusta agressão iminente” e pediu o arquivamento do inquérito. A Justiça
considerou que a manifestação estava amparada pelos depoimentos, laudos
periciais e demais provas e manteve o arquivamento.

O processo também registra que a perícia encontrou
vestígios compatíveis com o deslocamento de Jucimar do ponto em que teria sido
baleado até o local onde foi colocado na viatura. O laudo classificou o
episódio como uma possível ocorrência de confronto policial e apontou indícios
de que os militares prestaram socorro.

Crime no 4º Batalhão

Na madrugada de ontem (16), Carlos Eduardo da Silva Filho
entrou no alojamento do 4º Batalhão da Polícia Militar em Ponta Porã e disparou
2 tiros no policial da reserva Resoaldo Gomes dos Santos, de 44 anos. Ele
estava no local para cumprir 10 dias de detenção administrativa.

Ferido no rosto e no abdômen, Resoaldo foi socorrido ao
Hospital Regional Dr. José de Simone Netto, mas não resistiu aos ferimentos e morreu
por volta de 6h20 de hoje. A Polícia Militar não divulgou detalhes do crime. O
tenente foi preso em flagrante e o caso está sendo investigado pela
Corregedoria-Geral.

Resoaldo entrou para a reserva da Polícia Militar após
ser ferido a tiros durante uma abordagem a dois suspeitos de assalto no centro
de Ponta Porã, em 7 de novembro de 2015.

Em 1º de novembro de 2025, ele foi preso após ser flagrado
com um fuzil calibre 5,56 em seu carro, também em Ponta Porã. Resoaldo resistiu
à abordagem, tentou evitar a prisão, apontou o fuzil para os PMs e fugiu a pé
com a arma, mas foi preso em casa.

O episódio resultou em uma ação penal por posse ilegal de
arma de fogo de uso restrito, tentativa de homicídio, ameaça, coação e direção
perigosa. A audiência de instrução, para declarações do acusado e depoimento de
testemunhas de acusação e de defesa, estava agendada para 20 de maio de 2027.