
Presidente de associação de exportadoras defende período de transição durante a aplicação de protocolo criado pelo governo
A União Europeia deve retomar a compra de carne bovina do Brasil no 1º semestre de 2027, segundo projeção do presidente da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), Roberto Perosa. As exportações para o bloco estão suspensas desde 3 de setembro, quando entrou em vigor o veto a produtos de origem animal, por descumprimento de regras sobre uso de antimicrobianos.
Em conversa com jornalistas na 5ª feira (17.set.2026), Perosa disse ter sido informado de que o Brasil será listado novamente entre os países permitidos a exportar proteína animal para o bloco, mas ainda não há data definida para a reinclusão.
Os europeus concluíram em 4 de setembro uma missão técnica para avaliar as cadeias de mel e carne de frango. Depois de resultados positivos, a Europa já sinalizou que os produtos devem ser liberados nos próximos meses, de acordo com o Ministério da Agricultura.
Para a carne bovina, no entanto, o processo deve ser mais demorado. Segundo Perosa, ainda não há data para uma visita para vistoriar esse mercado.
Enquanto isso, o setor tenta colocar em prática o mais rápido possível um novo protocolo sanitário privado de controle de antimicrobianos, aprovado pelo governo em maio em resposta ao veto europeu.
Como o ciclo da criação de bovinos é mais longo que o das aves, pecuaristas que começaram a adotar o protocolo demorariam até 2 anos para estarem aptos a exportar para a Europa, já que o bloco exige comprovação de que não há uso de antimicrobianos desde o nascimento dos animais.
Por isso, a Abiec atua para que seja negociado um período de transição, já que a relistagem não significa que as exportações poderão ser retomadas imediatamente.
“Estamos pressionando o governo [brasileiro] para que a União Europeia aceite o protocolo e depois o execute. É um assunto para ser resolvido não neste ano, mas no 1º semestre do ano que vem, a volta do fluxo comercial. Tem o prazo de voltar para a lista, de negociar o período de transição e de retomar o fluxo comercial”, declarou.
Em maio, o Brasil já havia proposto um período de transição para a UE, mas o bloco não aceitou. Na ocasião, o governo brasileiro sugeriu que os frigoríficos comprovassem que os animais não receberam antimicrobianos só nos 9 meses anteriores ao abate. Segundo Perosa, uma nova proposta ainda está em negociação dentro do governo, mas ainda não foi levada aos europeus.
IMPACTO EM OUTROS MERCADOS
Perosa defendeu que o retorno à lista europeia é necessário porque os padrões do bloco são usados como referência em mais de 20 países, como Reino Unido e nações africanas. A Noruega, por exemplo, seguiu a UE e também suspendeu as compras de carne do Brasil em 3 de setembro.
“Essa lista tem impacto em mais de 20 países que também seguem a legislação europeia, para além da União Europeia”, declarou.
ENTENDA
A UE anunciou em 12 de maio que excluiria o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne bovina e de frango ao bloco. A justificativa foi que a indústria brasileira não apresentou as informações exigidas pela Comissão Europeia para assegurar que a carne e outros produtos de origem animal cumprem os requisitos da UE sobre antimicrobianos.
A medida foi oficializada em 5 de junho e começou a valer em 3 de setembro.
A legislação da UE proíbe o uso de antimicrobianos para estimular o crescimento ou aumentar o rendimento dos animais. Nenhuma carne consumida no bloco pode ter sido produzida com antimicrobianos para esses fins. O receio é que o uso excessivo desses medicamentos na pecuária acelere o surgimento de bactérias, vírus, fungos e parasitas resistentes aos remédios usados para combatê-los.




























