24 C
Dourados
Sexta-feira, Agosto 28, 2026
Início Policial Alvo por esquema de peças automotivas, empresário de MS sacou R$ 10...

Alvo por esquema de peças automotivas, empresário de MS sacou R$ 10 milhões em caixa eletrônico

Um empresário da fronteira de Mato Grosso do Sul com o
Paraguai sacou pelo menos R$ 10 milhões em caixas eletrônicos no período entre
2018 e 2023. Ele é um dos alvos da Operação Peça-Chave, deflagrada nesta
quinta-feira (27) pela Polícia Federal e Receita Federal para desarticular
organização criminosa que atua na aquisição e comercialização de peças
automotivas estrangeiras introduzidas irregularmente no Brasil.

As equipes da PF cumpriram mandados de busca e apreensão
em endereços ligados ao empresário em Ponta Porã.

As investigações conduzidas pela Delegacia da Polícia
Federal em Ponta Porã também identificaram que, além dos saques de dinheiro em
espécie, o empresário fez diversas transferências bancárias para um sobrinho e
para uma mulher, residente na mesma cidade.

O sobrinho também foi alvo dos mandados de busca e apreensão
nesta quinta-feira. Ele é comerciante, tem 47 anos e de maio de 2023 a julho de
2024 trabalhou como secretário parlamentar, nomeado em Brasília (DF).

De acordo com a Polícia Federal, o empresário e o
sobrinho atuam como operadores do esquema. Grandes carregamentos de peças,
principalmente para veículos de marcas como BMW, Mercedes-Benz e Smart, eram
importados até o Paraguai e de lá trazidos para o Brasil sem o recolhimento de
tributos alfandegários obrigatórios.

A principal porta de entrada no território brasileiro é
Ponta Porã, de onde as peças eram transportadas via terrestre até o estado de
São Paulo e vendidas em autopeças na capital paulista, em Santo André (SP) e em
São Bernardo do Campo (SP). Esses estabelecimentos foram alvos das buscas na
operação de hoje (veja o vídeo acima).

Os produtos clandestinos eram comercializados nas lojas da
organização como peças legais, só que bem mais baratas do que as da
concorrência, já que foram importadas sem recolhimento de impostos.

Conforme a Polícia Federal e a Receita Federal, a artimanha
permitia lucro exorbitante para os integrantes da organização. Os envolvidos
movimentaram pelo menos R$ 146 milhões entre 2018 e 2023, sem comprovação capaz
de justificar a origem e a destinação do dinheiro.

As investigações também identificaram movimentações
financeiras atípicas e saques elevados em espécie em agências bancárias da fronteira.
O grupo também é suspeito de lavagem do dinheiro ilícito através de empresas de
fachada e até de compra de obras de arte.

Além da distribuição de peças automotivas importadas
ilegalmente, a operação identificou emissão de notas fiscais frias para
transporte das cargas, principalmente através das chamadas “noteiras”, empresas
criadas especificamente para este fim.

O esquema também utilizava empresas sem capacidade
operacional, destinadas apenas à emissão de documentos fiscais para terceiros.
As mercadorias eram comercializadas sem registro de entrada nos estoques das
empresas investigadas.

O lucro obtido com a sonegação era movimentado através de
pessoas sem capacidade econômico-financeira compatível, mas vinculadas aos
principais integrantes da organização criminosa, tática conhecida para lavagem
de dinheiro.

Os mandados foram expedidos pela 5ª Vara Federal em Campo
Grande, que também autorizou a apreensão de drogas, armas, joias, obras de
arte, bens de alto valor agregado e dinheiro em espécie sem origem claramente
comprovada, em quantia superior a R$ 5.000,00.

Pastilhas de freio importadas ilegalmente, encontradas em loja em São Paulo (Foto: Divulgação)