Operação mira esquema milionário de tapa-buraco e leva ex-secretário de Campo Grande à prisão

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul deflagrou na manhã desta terça-feira (12) a Operação Buraco Sem Fim, que investiga um suposto esquema de fraudes em contratos de manutenção e tapa-buraco em Campo Grande. Segundo as investigações, os contratos sob suspeita ultrapassam R$ 113 milhões.

A ação teve como foco o cumprimento de sete mandados de prisão preventiva e dez mandados de busca e apreensão em diferentes endereços da Capital. Entre os presos está o ex-secretário municipal de Obras e atual diretor-presidente da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos, Rudi Fiorese.

Também foram presos dois servidores ligados à área de infraestrutura: o engenheiro Mehdi Talayeh e o gestor de projetos Edivaldo Aquino Pereira.

Durante as buscas, os investigadores encontraram grandes quantias em dinheiro vivo. Conforme divulgado pelo MPMS, pelo menos R$ 429 mil foram apreendidos em espécie. Em um dos endereços ligados a um servidor público, havia R$ 186 mil guardados em dinheiro. Já em outro imóvel alvo da operação, foram localizados R$ 233 mil em notas de Real.

A investigação é conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção, coordenado pelo promotor Adriano Lobo Resende, com apoio do Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado e da 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público de Campo Grande, sob responsabilidade do promotor Humberto Lapa Ferri.

Segundo o Ministério Público, as apurações identificaram a atuação de uma organização criminosa voltada à fraude sistemática na execução dos serviços de manutenção de vias públicas. O esquema funcionaria por meio da manipulação de medições de obras e pagamentos por serviços supostamente não realizados.

As investigações apontam que recursos públicos teriam sido desviados através de medições falsas e pagamentos indevidos, beneficiando os investigados e comprometendo a qualidade do asfalto nas ruas da Capital.

Levantamento realizado pelo MPMS mostra que, entre 2018 e 2025, a empresa investigada acumulou contratos e aditivos que chegam a R$ 113.702.491,02.

Os três presos nesta terça-feira já haviam sido alvos da Operação Cascalhos de Areia, que apura supostas irregularidades em contratos de manutenção de vias não pavimentadas durante a gestão do ex-prefeito Marquinhos Trad.

Após a prisão de Rudi Fiorese, o Governo de Mato Grosso do Sul informou, por meio de nota, que ele foi exonerado do cargo de diretor-presidente da Agesul.